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quarta-feira, novembro 02, 2005

Os meus cafés [5]: o Arcadas, que é alcunha, no fio do vento 



O Café "Arcadas", e "Arcadas" é alcunha, já disse, porque não me consigo lembrar nunca do nome verdadeiro que deve ser bem pior que este, é um pequeno Café de Bolso. Fica no topo de uma calçada comercial, paralela à estrada, na esquina redonda de um troço de lojas e comércios de pequeno fôlego [cabeleireira, Pub, roupa, loja de Informática entre outras] com pretensões a galeria exterior. Antes era um de três cafés de bolso, num pequeno arco de 30 metros. Agora, se não estou enganado, sobrevivem dois e o das "Arcadas" é o mais simpático deles. Pelo menos é o primeiro que encontro, no topo das escadas, vindo de baixo, ou na curva da calçada, quando venho de casa a bater com a bengala desnecessariamente no chão.

O dono, toda a família [à excepção da funcionária, alta e magra, que pertence a outra raça], são uma espécie de habitantes da Terra Média, criaturas laboriosas e cordias, tal como as inventadas pelo Tolkien. De pequena estatura, girando de um lado para o outros sem movimentos demasiados, cuidando do seu cliente combalido e de hábitos "morigerados". Falamos pouco, praticamente apenas o essencial e alguma que outra resposta a alguma pergunta ociosa. Também consumo sempre o mesmo e a minha frequência é irregular, por vezes quase de cliente em fuga. Uma meia, como é hábito, algum café, nos dias de calor uma coca-cola, um bolo para enganar a fome.



Mas gosto do "Arcadas", apesar de uma certa tibieza do lugar, como se pode ver nas fotos. Prefiro a esplanada, ao interior banal e acanhado com mesas em cima de cadeiras ou vice-versa. Encosto-me a uma das colunas, disponho as minhas coisas sobre a mesa, ajeito a bengala e peço. Li muito naquele lugar. Jornais mas também livros, nem me recordo quais. Sei que lá li os Evangelhos, mas agora trabalhava já nas actividades da escola e lia coisas de trabalho.

O sol evito-o, quando não de outro modo, escondendo-me atrás da pedra da coluna. O vento fresco quase sempre é agradável. Quando ultrapassa o que deve saio para o interior, vou-me embora a tiritar.



A fórmula de Einstein fez anos. O jornal falou disso e fez uma festa. Nesse dia passei pelo "Arcadas" e estive por lá num bom dia de sol e vento. Mal posso esperar pelo momento de me sentar de novo ao sol, ou evitando-o atrás da coluna, para pedir então em apoteose de regresso inesperado: "Uma meia de leite e uma tosta mista, ou uma torrada barrada com manteiga; por favor!"

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