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terça-feira, novembro 01, 2005

O Prazer do Vómito 

Tiraram-me um dos poucos prazeres que ainda tinha, aqui nesta cama. O prazer de vomitar. Não digo isto para ser tremendista, mas porque nas últimas semanas apurei a técnica em cerca de uma centena de vezes que passei pela experiência. Nada do espasmo penoso e contra-natura, que parece que nos sufoca e leva à morte, quando entramos nesse transe. Pelo contrário. Uma libertação que deixa o organismo em equilíbrio e o ânimo aberto ao mundo. Quando o vómito respondia a essa necessidade de harmonia, depois sentia-me como novo. Por vezes apenas água, só água. Jorrava uma inesperada onda de frescura, ao contrário do ciclo, água bebida momentos antes, ainda fresca. Nos últimos dias o vómito era um pouco menos espontâneo e era preciso forçá-lo e lutar para que prosseguisse até ao seu final. Deixar um vómito a meio é um asco. O resultado material disso era um bojudo saco azul pendurado na mesa de cabeceira todas as manhãs. Ainda lá está o último, mistura diabólica que o estômago não quer.

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