Quarta-feira, Novembro 02, 2005
Livros não lidos, coisas

Quando voltar a casa vou pôr os livros na ordem. Já está planeado há muito. O móvel novo, depois de estar em condições, receberá as memórias, as biografias, as homenagens, as autobiografias, epistilografias, ideias políticas dispensáveis e géneros periféricos. Até lá é como o longo "dia do patrão fora, dia santo na loja".
Depois há o direito de não ler. Com tábua explícita dos direitos do não leitor. Para além deste direito, amplamente reclamado e de que muitos são useiros sem sequer terem lido o livrinho de Daniel Pennac, - "Como um Romance" - também deve haver o "medo de ler", o "pudor de ler", o "escrúpulo da leitura", o "tédio de ler"... etc. Encontro-me, de momento, como já avisei, na parte do tédio. Tenho comprado livros, através daquele maravilhoso sistema que nós trás o livro embrulhado no jornal até às mãos, muitas vezes antes de imaginarmos sequer que o livro existia, mas quanto a ler... nada. Nem uma linha.
A colecção de policiais do Público está a terminar e hoje recebi já o penúltimo. Metade estão lidos, os outros repousam para melhor ocasião. Os filmes de Hitchcock, que são um DVD mascarado de livrinho, também chegam regularmente mas nem o facto de ser leitura breve e de poder ver o filme no portátil, me dá grande vontade. Os dois tomos do Quixote, na edição de Aquilino, re-editada pelo Público, ou os fascículos da edição da mesma obra, no Expresso, traduzida por Serras Pereira e ilustrada por Júlio Pomar, também repousam para outro dia. Os livros de BD, bem esses são do Miguel. Guardo-os no quarto, lá mais para o Verão.
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