Quarta-feira, Outubro 19, 2005
Os meus cafés [4]: Pequena Maravilha no meio do caos e do sangue


Amanhã há uma greve da Função Pública e o meu exame foi desmarcado; não vou a exame nem sei que nova data me será reservada. O Pequena Maravilha, apesar do nome, supremo monumento ao horror, também é um dos meus cafés. Nem o profissionalismo do pessoal, jovem e no espírito do negócio, nem a dona boa, sobretudo simpática, nem o nome, fazem do lugar o requinte que se sugere. Mas é um dos meus cafés, por vezes a contragosto.
Uma esplanada inclinada, à vista de vários outros cafés onde também já estive, mas que nunca frequentei [porta com porta com o café árabe], dá gloriosamente para uma avenida constantemente percorrida por bólides a grande velocidade e em grande desatino, com automóveis estacionados a toda a volta, e um nível quase insuportável de ruído. O que é que torna aconselhável um lugar como este? Nada. Pelo menos por um longo período, ou com muita frequência.
Talvez por isso tenha reservado para este lugar a leitura de jornais e suplementos de jornais. De livros a sério não me lembro. Mas lembro-me agora que numa das primeiras saídas, talvez a primeira, no início desta longa convalescença, foi lá, ao interior do café, que fui aportar. Uma manhã de fevereiro, se a memória não me engana, mas de fevereiro passado. Manhã muito tépida, com neblina e sol, e com um livro horrível na mão para ler; sobre o devasso e muito pouco transcendente mundo do futebol.
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