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quarta-feira, outubro 26, 2005

Contraste e o odor do café 

Fui a exame, de novo. Quando saímos daqui, deitados na cama, de costas sobre um colchão que desliza, saímos subitamente desta zona reservada e entramos na agitação do secretariado e da sala de espera. Num momento, um mundo ignorado revela-se sem surpresa. Vistos naquela posição de um faraó que repousa para a eternidade, de costas para baixo e vendo deslizar o que parece o mundo sobre os olhos, as pessoas parecem figurantes ali colocads para a nossa passagem. Falam, agitam-se, gesticulam, parecem ocupadas desde muito antes de irrompermos por ali naquele trono deslizante. E assim continuarão um pouco mais, depois de passarmos a outros corredores, com outros figurantes ocupados sempre em fazer qualquer coisa que vai para além de nós. Passamos por lugares vazios, onde só uma máquina de café nos conforta. Segundos depois já nada ficou do agradável odor do café que penetrámos. E mesmo agora só a memória.

Comments:
Que bom ter oportunidade de ser esse leitor ocioso!!!
 
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