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sexta-feira, setembro 23, 2005

Um intestino em férias [2] 

Sou um intestino em férias, a deslizar devagar para o stress de cada dia. E hoje foi um daqueles dias consagrados a inventar metáforas sobre o trânsito intestinal e a interpretar as contrações, os espasmos e as manifestações ruidosas que ocorreram sob o meu abdómen. Não é possível falar disto sem um certo despudor, sem alguma falta de gosto. Mas prefiro assim; aceitar esta orgia lodosa enrolada sobre si mesma, como uma cornucópia, que protesta, que geme e que encaminha para fora uma massa irreconhecível de comida esmagada e diluída em ácidos. Estes dias ajudam-me a confirmar que nada somos sem os intestinos, mas que também pouco somos com eles neste desvario. Acredito que eles são a nossa alma, ou o essencial da nossa alma. E isto é dizer tudo. Por eles passa tudo o que nós somos. E neste momento sou apenas um intestino em férias que redescobre num recesso da imaginação a fantasia de morder uma fatia de coirates.

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