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quarta-feira, setembro 28, 2005

Pela China Dentro, em frente ao Pav. Atlântico 



É o livro para a viagem longa, entre Londres e Honk Kong; também em metáfora, entre um mundo e outro. Um livro especialmente bem escrito que ajuda a compreender a singularidade e a excepcionalidade chinesa. Depois de ler este relato de um jornalista português no Oriente, António Caeiro, vivendo a China com a consciência da diferença e da proximidade, com a família, vivendo a China como um lar emprestado, durante doze anos, a minha visão mudou. O autor escreve com rigor, distância, afectividade, ironia e sentido crítico e o resultado é um livro de viagens, como alguém comentou na imprensa, com grande fôlego, mas também um livro de análise das transformações económicas, sociais e e culturais recentes que varreram a China.

A China é um país capitalista, sob a direcção política do Partido Comunista. O dogma é o mercado a funcionar, sob a batuta das directivas do Partido que não abdica do seu papel dirigente. Alguns dos deputados do Congresso do Povo chegam às sessões no seu jacto particular; são os empresários que injectam na economia chinesa um novo princípio, fazendo convergir a economia de mercado com os princípios da sociedade socialista. A justificação dogmática é frágil, intelectualmente nula. Puro pragmatismo e, portanto, parece resultar em pleno, para felicidade da classe média emergente.

As histórias são exuberantes, os exemplos abundam, a imagem da China é esmagadora. Um país continente, povoado por um povo enigmático, como todos os outros afinal, e convicto da sua tremenda força de trabalho e da sua pujante criatividade. A juventude chinesa aspira a tudo o qué é novo e mostra isso no seu estilo de vida moderno e cosmopolita.

Pela China Dentro, de António Caeiro é, provavelmente, uma das melhores obras recentes para entrar na China e para a compreender. E olhando sobre o ombro desse gigante que se movimenta ainda com passos lentos e indecisos, podemos entrever Macau. Lá em fundo, como um caso especial, uma sombra de Hong Kong, uma citação oportuna da China moderna.

Lido ali, naquela mesa em frente ao Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações. Mesmo à saída da estação do Oriente. E lido no sono de várias noites.

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