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terça-feira, setembro 27, 2005

Oração da noite 



Quando aqui chego, se venho tarde, já depois do jantar, lá pelas dez, onze da noite [agora passa da meia noite e meia, hora UTC+1], já quase amanhece em Macau. São mais sete horas, se as minhas contas andam certas. Dentro de meia hora as crianças da Escola Portuguesa começarão as aulas, a não ser que a monção seja uma ameaça e o vento sopre demais. Imagino as ruas de nomes exóticos, portugueses, como um formigueiro contínuo, de pessoas que se esquivam ao trânsito, de motas que buzinam aos peões, de carros que buzinam a todos eles. Uma cidade que acorda, como acontece com todas as cidades que dormiram um sono intranquilo, agitado.


A minha ronda nocturna por Macau, enquanto Macau desperta para um novo dia, começa por ver como está o tempo. Depois vou dar uma vista de olhos às notícias da TDM, que resumem a actualidade do território em três breves blocos, três flashes do MediaPlayer, que me dão a ilusão de assistir a um verdadeiro serviço informativo em directo. À Rádio Macau, que fornece ficheiros dos programas diários, notícias, entrevistas, análises detalhadas das peripécias da superliga portuguesa, etc, não costumo dedicar muito tempo. Passo aos jornais. São três. O HOJE MACAU, com aspecto gráfico de uma revista de choque, quase tablóide [a Ana Rita Alves, que colaborou lá até há poucos anos, que me desculpe], o Ponto Final, que é o Portal do Diário de Macau e, finalmente, o Jornal Tribuna de Macau .

As eleições para a AL [Assembleia Legislativa ] foram no domingo passado. Pereira Coutinho, da Lista "Nova Esperança" superou todas as expectivas, sendo eleito com quase dez mil votos. Foi o sexto melhor resultado, em termos de listas, obtendo um lugar de deputado em doze da eleição directa. O único nome com sílabas em português, da nossa etnia, como explicava uma apoiante. Sales Marques ficou abaixo das piores previsões.

Hoje, terça-feira, a esta hora da manhã, quando as crianças da Escola Portuguesa de Macau já entraram nas salas de aula e começam o dia, ainda é tempo de rescaldo. Uma parte disto, que li e que escrevi, e que mal compreendo ainda, já me pertence e já me ocupa um pouco da noite. Como uma oração.


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