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segunda-feira, agosto 22, 2005

Um escritor confessa-se 

Há alguns anos passei aqui uma temporada, no Verão. Junto desta mesma biblioteca. Há mais de 15 e há menos de 30 anos... seguramente. Li então, nessa ou noutra altura próxima, o Nítido Nulo de Vergílio Ferreira. Uma biografia monumental de Hemingway também me ocupou os tempos de ócio. Mas o livro que mais me impresionou foram as memórias de Aquilino Ribeiro, da Livraria Bertrand, edição de junho de 1974, com prefácio de José Gomes Ferreira. Um Escritor Confessa-se... não poderia ter título mais arrojado, quase desafiador. A prosa copiosa e substantiva de Aquilino Ribeiro, cheia de pormenores deliciosos e incidências biográficas, leva-nos até à juventude do escritor, que decorreu numa época cheia de convulsões históricas, carbonárias e maçónicas, de inquietações políticas.

O que melhor conservo na memória são as páginas em que Aquilino conta como tomou conhecimento do regício, estando então, segundo ele, escondido da polícia, num quarto de um prédio pombalino, a 150 metros da Parreirinha, junto às escadinhas de S. Francisco. Não posso reler agora, no momento em que escrevo, essas linhas deliciosas. Mas recordo-me do eco da morte do rei, de que Aquilino fala com cuidado e moderação, já que seria mais tarde acusado de ser o terceiro homem, regicida potencial, na retaguarda, para apoio em caso de necessidade. E da saída furtiva do escritor, então na clandestinidade, correndo as ruas cheias de gente alarmada com as notícias do atentado do Terreiro do Paço.

O livro de memórias inclui um curioso documento: a cópia de um ofício dos Caminhos de Ferro do Estado, Serviço de Movimento, datado de 14 de janeiro de 1908, que dá conta da evasão dos "calabouços da Polícia Cívil de Lisboa [d]o preso Aquilino Gomes Ribeiro, escriptor, natural do Carregal, concelho de Sernancelhe e com os signaes seguintes: alto, magro, 22 anos, barba e cabelos crescidos de dois mezes, cor pálida." O ofício dava conta de que o Sr. Juiz de Instrução Criminal solicitava à exmª Direcção dos Caminhos de Ferro a "sua captura". O documento continua, em tom alarmista, sem poupar nas palavras: "O preso é da máxima responsabilidade, por ser accusado de um crime muito grave e por esse motivo se lhe recomenda a maior vigilancia possivel nos pasageiros do seu comboio e se for reconhecido, deverá empregar todos os meios ao seu alcance para o deter tendo o maximo cuidado em o não deixar de novo evadir-se."

[Vou reler os capítulos do regicídio esta noite]

Comments:
Ola' Nao Poderia Deixar de comentar... Pois eu tb tenho esse livro... E' um livro que tem vindo de geraçao em geraçao da minha familia...Pois Refere Uma pessoa desta... Se abrires a pag. 244...no sexto parágrafo...Verás um Nome...Belmonte de Lemos..."Um homem novo,baixo,reforçado bem-parecido..." esse homem e o meu Tio Bisavô d quem n tive o prazer de conhecer... Mas contam-me muitas aventuras dele*

E' com orgulho... q leio este livro*

Dsclp a invasao...

Monica Carvalho Lemos, 15 anos,Coimbra
 
Belmonte de Lemos morreu numa explosão de bombas . Era um anarquista republicano
Leia http://triplov.com/carbonaria/carbonaria_portuguesa/aquilino_ribeiro/metralha_02.htm

e

http://www.triplov.com/carbonaria/carbonaria_portuguesa/bomba/bomba_01.htm e ve a fotografia de seu tio
Hoje em dia seria considerado um terrorista como Aquilino Ribeiro
 
Obrigado pela resposta ;) corrigo… com o habito do lemos .. no nome pus Monica Lemos… Em vez de Monica Martinho--. Lemos Mantem o meu pai… Ele e meu tio bisavo da parte da minha avo…Por isso fiquei com Martinho (do tão conhecido To ze Martinho)
Se tiveres mais informações avisa

http:://Monikitahdrtdiogo.blog.pt
oou

carvalho_martinho@hotmail.com
 
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