Terça-feira, Agosto 23, 2005
Quando era "Proibido ler!"
Esquecemo-nos frequentemente disso, agora que andamos sempre preocupados com os hábitos de leitura dos jovens e dos não-leitores em geral. Fazemos quase uma pastoral da promoção da leitura, não sem alguma parte de ingenuidade e de proselitismo. Não sei com que resultados. Mas adiante.
Houve um tempo em que quase era proibido ler. A leitura encontrava-se perfeitamente codificada por géneros e por idades. Mas isso é tema para outra conversa, ou melhor, para outro post. Lendo ontem alguns dos contos de Os Meus Amores, do Trindade Coelho, deparei-me com uma curiosa passagem da sua brevíssima autobiografia, com que termina o volume. O jovem habitava e frequentava, naqueles anos do final do século XIX, um colégio de má memória, na cidade do Porto. Sobreviveu, mas com que astúcias. Aqui aqui fica a nota, escrita já em Abril de 1902:
"E literatura? No colégio eram proibidos os romances ou quaisquer livros que não fossem de estudo - só me lembro de ter lido ás escondidas uma tradução dos Três Mosqueteiros de Dumas, e dois ou três romances portugueses, o Mário e não sei que mais." [p. 364]
in Os Meus Amores - Contos e Baladas, [Autobiografia, p. 351-381], Trindade Coelho, Portugália Editora, Lisboa, Abril de 1971
Houve um tempo em que quase era proibido ler. A leitura encontrava-se perfeitamente codificada por géneros e por idades. Mas isso é tema para outra conversa, ou melhor, para outro post. Lendo ontem alguns dos contos de Os Meus Amores, do Trindade Coelho, deparei-me com uma curiosa passagem da sua brevíssima autobiografia, com que termina o volume. O jovem habitava e frequentava, naqueles anos do final do século XIX, um colégio de má memória, na cidade do Porto. Sobreviveu, mas com que astúcias. Aqui aqui fica a nota, escrita já em Abril de 1902:
"E literatura? No colégio eram proibidos os romances ou quaisquer livros que não fossem de estudo - só me lembro de ter lido ás escondidas uma tradução dos Três Mosqueteiros de Dumas, e dois ou três romances portugueses, o Mário e não sei que mais." [p. 364]
in Os Meus Amores - Contos e Baladas, [Autobiografia, p. 351-381], Trindade Coelho, Portugália Editora, Lisboa, Abril de 1971
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