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terça-feira, agosto 23, 2005

Os autógrafos de Herberto Helder 



São três os livros de Herberto Helder, na biblioteca de Sebastião Penedo. Uma 3ª edição de Os Passos em Volta, de 1970, com chancela da Editorial Estampa. A capa, belíssima, numa quadrícula minimal colorista, também me cativou a mim há muitos anos, à porta da Faculdade de Letras de Lisboa, onde um aluno-livreiro a tinha para venda sobre a manta. Foi aí por 1985 [posso confirmar o dia da compra e o preço, quando chegar a casa], portanto passam agora 20 anos sobre esse feliz encontro. A leitura de Os Passos em Volta foi uma "marretada literária", um saudável murro na boca do estômago, uma canelada bem apontada ao nervo sensível da literatura. Não se fica o mesmo depois deste tipo de agressões. Mas isto é para outro post.

Este pequeno volume tem uma dedicatória do autor; simples e afectuosa:

"Para Sebastião Penedo,

com a melhor simpatia
do
Herberto Helder

Lisboa, 21.5.73"




Alguns anos depois o nosso poeta receberia uma 4ª edição, emendada, com data de 1980 e chancela já da Assírio & Alvim. Herberto Helder trabalha continuamente os seus textos, emenda-os para cada nova edição. Da terceira para a quarta, no misterioso relato do Coelacanto vai ao escrúpulo de substituir a expressão "verdadeiro chefe" pela mais juridicamente actual "cabeça de casal". A dedicatória nesta edição é um pouco mais completa:

"Para o
Sebastião Penedo,
agradecendo os seus livros onde cada
vez se torna mais firme uma bela voz
pessoal.

Com um abraço afectuoso
do Herberto Helder.
Cascais, Jan. 80."


Finalmente encontrei - já o tinha de facto encontrado há anos, numa primeira rusga - o Flash. É um pequeno folheto de que se tiraram apenas 250 exemplares. Trata-se, como se diz no verso da última página, de uma edição de autor, fora do mercado, e composta "manualmente, em caracteres elzevir corpo 12, pelo artista-tipógrafo José Apolinário Ramos, e impresso na Tipografia Ideal, Calçada de S. Francisco, 13, em Lisboa, durante o mês de junho de 1980. "Hors-texte" de Cruzeiro Seixas. Orientação gráfica de Vitor Silva Tavares."

A preceder os versos de Herberto lá aparece uma enigmática gravura do pintor surrealista, que nos faz pensar em Dali. A dedicatória:

"Para o
Sebastião Penedo,
com um abraço amigo
do Herberto Helder.

Cascais, Setembro.80."


Tem graça, se a palavra é esta, o que Herberto Helder escreve em nota posterior, mais como advertência, que eu agora não vou cumprir [o poeta que me perdoe]:

"P.S.: Não mostre, não empreste, não deixe
tirar fotocópias."

Comments:
Tenho procurado "Flash" de Herberto Helder, impresso na Tipografia Ideal.
Para além da sua raridade, o meu falecido pai, trabalhou na supracitada tipografia...!
Possuo um pequeno livro, "Encostado à Solidão" do então mestre tipógrafo José Apolinário Ramos, também ali impresso, com dedicatória ao meu pai...
Antecipadamente grato, solicito alguma pista...
 
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