<$BlogRSDURL$>

terça-feira, agosto 23, 2005

O lente de Coimbra que "não acreditava" no gás de iluminação 

O tempo foge, os livros continuam à espera, mas eu não resisto a deixar aqui esta história do In Illo Tempore do Trindade Coelho, que já referi ontem neste post, mas que agora cito devidamente.

Li,esta madrugada, numa leitura de diagonal bastante pronunciada, algumas passagens memoráveis daquele livro de memórias. Finalmente, a páginas 320 encontrei o que procurava. Numa brevíssima digressão de três, quatro linhas, não mais, o autor conta a história daquele lente... É só isto: "[...] incompatível com todas as formas do progresso, como aquele colega de Filosofia que "não acreditava" no gás de iluminação - porque "luz sem torcida (dizia ele muito catedrático) isso não entendia!"

Mas são imensos os episódios, as anedotas que ainda hoje conservam, apesar do verniz de muitos anos, a força da sátira. Outro que nunca deixei de lembrar foi o daquele aluno de Coimbra que resolveu pedir dispensa ao professor, mas em verso bem rimado. vem na página 124 e conta-se em poucas palavras, numa das muitas notas de roda-pé:

"O Rosalino [...] como se tivesse andado no Pátio a estudar Geometria, uma vez não sabia a lição, e meteu dispensa... em verso heróico:

Como incomodado estado tenho
Dispensa a V.ª Srª pedir venho.
E por não a pedir por vezes,
peço-a por dois ou três meses.

E assinava também em verso:

Pega Pegão Pega Peguito
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito.

Diz-lhe o lente, que era o Manso Preto:

- Por um ano, se quiser!

Réplica do Rosalino, ainda em verso:

Iso mesmo é o que se requer!"


in In Illo Tempore, Estudantes, lentes e futricas, Trindade Coelho, Portugália Editora, 7ª edição, Lisboa, s/ data.

Comments: Enviar um comentário