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terça-feira, agosto 30, 2005

Espólio 




A biblioteca visível do poeta [não cheguei a contar os livros, nem procedi a qualquer estimativa], os exemplares sobrantes dos seus quatro livros publicados, as cartas, postais, a correspondência, as notas de trabalho e apontamentos, recortes de jornal e o mais que não tive sequer tempo de avaliar, de folhear, de dedilhar, de entrever, não constituem a totalidade do espólio de Sebastião Penedo. Todo o material que encontrei numa mala de viagem de fundo vermelho, num baú de madeira e nas estantes, num dos recantos do sotão da quinta, foi levado para lá pelo poeta, talvez há perto de vinte anos, depois de uma inesperada mudança de quarto.

A morte da velha senhoria deixou-o numa situação difícil, de falta de espaço, e a solução foi separar-se da biblioteca e dos documentos pessoais mais antigos, remetendo-os para uma casa de família. Presumo que desde essa data até à altura da sua morte trágica e triste no Tejo, o poeta tenha continuado a escrever, publicando ou não, produzindo autógrafos, a comprar livros, a recortar artigos de jornal, a receber cartas. Não sei onde se encontra todo esse material e não tenho qualquer tipo de legitimidade familiar para reclamar a vantagem de juntar num único lugar todo o espólio de Sebastião Penedo. Isso seria, como parece claro, o melhor que poderia acontecer; um acto tardio de justiça poética, já que nenhuma outra, de momento, lhe poderá já valer.

Seja como for decidi trabalhar com o que há, com o visível. Depois de terminar a arrumação e organização da sua biblioteca, composta por centenas de volumes, tratarei de inventariar o restante espólio documental. Separar, interpretar, selecionar e arrumar os documentos em pastas, capas plásticas, de modo a que se possam preservar da destruição certa. Não é trabalho, será prazer. Mas isso levará tempo.

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