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terça-feira, agosto 23, 2005

Dia Santo, um poema de Sebastião Penedo no livro do Cinatti 


O livro é a Memória Descritiva de Ruy Cinatti. Um livro de versos, provavelmente uma primeira edição, da Portugália, colecção Poetas de Hoje. O poema veio de súbito, sem avisar e sem emendas. Escrito numa ortografia confiante e decidida, numa das páginas de rosto do livro de Cinatti. É o Dia Santo, com data de 1976. O poema seria publicado no livro seguinte de Sebastião Penedo, um ano depois, no Meu Silêncio Amigo. A versão publicada coincide rigoramente, até à vírgula, com a versão manuscrita da inspiração. O poema aqui fica.

Dia Santo

Sobre a tela do campo desgrenhado de searas
ou um rio que a leva a ver o mar,
nas dunas onde o sol lhe beija os seios,
em uma aragem quase
sua roupa ligeira,
a mocinha pousa seu encanto.

E demora o dia a que o verão,
os lábios, as sagradas
mãos da água dão um corpo
e um nome de um céu - dia santo.

Sebastião Penedo
Lisboa, São Pedro, 1976

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