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sexta-feira, agosto 26, 2005

19 recantos ["beijar-se dentro do estômago/ almoçar nesse salão"] 

Luiza Neto Jorge passou alguns meses em Silves, durante o ano de 1983. Isso serviu-me de pretexto para levar a sua Poesia [Assírio & Alvim] na bagagem para Vila Real. 22 anos depois. Li os seus poemas sem cautela, numa só arremetida até ao meio do livro. Depois parei umas semanas, uns dias. Retomei ontem, estou quase a terminar o conjunto de poemas saídos, se bem entendo, sob o título de Os Sítios Sitiados. Cheguei esta madrugada, ontem à noite, aos Dezanove Recantos e percebi, finalmente, como é arrebatadora a poesia desta mulher. Não é preciso estar preparado, basta ler, chegar aos poemas. O resto é com esta poesia truculenta, que desiquilibra e perverte.

"Ó Garfo autómata fome desvairante ó puro estro
pura e enfeitiçada boca
tenros dentes seus faces por redimir
mães aflitas
correndo, recorrendo,
pelas 7 partes de tudo contornando-me"


[recanto 3, excerto]



"Seu corpo de outra época
nas superfícies menores é corpo grado a incidir.

Seu corpo de animal
só fala de sorver
tudo o que encontrar

beijar-se dentro do estômago
almoçar nesse salão
a ternura fresca do peixe
da bebida:

coisa fulgente, alibi cheio de escamas, ao meio-dia."


[recanto 5, excerto]



"dentro do que quer que seja: de um líquido
como o que há no chão dos talhos"


[recanto 6, excerto]



"O verão deu-nos uma volta aos olhos."

[recanto 11, excerto]



"liquidamentamante"

[recanto 12, excerto]

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