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domingo, junho 19, 2005

Vicente Soto Sordera no Jardim de Inverno 


[Jardim de Inverno, S. Luis, 00.30]

Não sei se o bom flamenco se ouve de noite, mas o recital de Vicente Soto Sordera, com um programa integralmente composto por poemas de Lorca, começou depois das 23.30. Após a estreia da peça de Lorca, A Casa de Bernarda Alba, com a Maria do Céu Guerra no papel de mãe e Diogo Infante no papel de encenador, um público não superior a 50 pessoas ocupou o belíssimo espaço do Jrdim de Inverno do teatro. Eu sentei-me numa das mesas da frente, junto ao palco e pela primeira vez tive a certeza de que não podia ter ficado melhor. À minha frente o piano e depois os lugares que seriam ocupados pelo cantor, pelos dois guitarristas, pelo homem da percussão e pelo violoncelista.

O primeiro tema, com um belíssimo acompanhamento de piano, - La luna, luna - foi cantado por Sordera junto à entrada de cena, do lado esquerdo, perto do pianista, enquanto progredia, passo a passo, até chegar ao centro. Depois sentou-se e cantou com aquela segurança que faz da voz um instrumento que nada pode dobrar, como a sombra e o vento. Encheu toda a sala, empolgou um público tímido e pouco expressivo, que hesitou nas palmas e pediu um encore no final.

O espetáculo breve, composto por sete temas, não cumpre as regras do flamenco puro, mas ali há, indubitavelmente muito flamenco. Mesmo quando a música nos leva para o território do jazz, onde a fusão dos géneros insinua uma opção estilística e um destino. Não sou um purista, aprecio a liberdade de Vicente Soto Sordera, quando canta por Bulerias ou quando canta ao "ritmo de vals".

O Programa foi composto pelos seguintes temas: La Luna, luna [malagueñas], Zorongo [bamberas], Preciosa y el aire [solea], Las tres hojas [ritmo de vals], El Café de Chinitas [libre y bulerias], La badalilla de los tres ríos [tangos], La Tarara [bulerías] e um divertimento em torno das quadras do Fernando Pessoa ortónimo que o público aplaudiu muito.

O recital repete-se no dia 16 de Julho, à mesma hora e no mesmo local. Vale a pena repetir. Nunca é igual.

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