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sábado, junho 04, 2005

O grande jogo de hoje, o prazer do futebol 



Onze Contos de Futebol, Camilo José Cela, Edições Asa
Contos de Futebol, Mario Benedettti e outros, Relógio D'àgua

Foram duas das minhas compras recentes, que já registei em post anterior. O primeiro porque é um livro genial de José Cela e é importante tê-lo à mão (sobretudo quando um empréstimo nos faz duvidar do seu regresso), o segundo é um livro a que só agora encontrei o rasto. O livro da Relógio D'Água reúne contos de diversos autores espanhóis e latino-americanos. Julio Llamazares, por exemplo, fala da história trágica de Djukic que, há uns anos atrás, falhou o penalty para o Deportivo da Coruña, no último minuto de jogo do derradeiro jogo do campeonato, e que daria a essa equipa galega, se tivesse sido convertido, o primeiro título de campeão de espanha.

O livro de Camilo José Cela é de outra ordem. Onze Contos de Futebol são a mais iconoclasta visão da loucura do futebol, recriando um mundo arcaico onde o futebol parece constituir um rito feroz e essencial.

Basta ler este excerto da pequena obra:
"O F.C. Waldetrudis Pucará (alta escola) aspira a ter uma equipa em que todos e cada um dos jogadores esteja claramente compenetrado da sua obrigação, e na qual não haja um único homem que não saiba muito bem qual é o papel que lhe cabe representar. Teógenes Caldueño Acebal, Mazuco, e Teogino Alcaraz Valronquillo, Pinchaúvas assimilaram tão vivamente o espírito do F.C. Waldetrudis Pucará (alta escola) e de Gainsborough XXI, seu treinador, que mandaram tatuar a barriga, formando com uma orla em volta do umbigo o verso 355 do Livro I da Metamorphoseon, de Ovídio: Nos duo turba sumus, nós dois fazemos uma multidão, e enquanto isto for assim, nem Napoleão Bonaparte nos mete um golo."

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