<$BlogRSDURL$>

domingo, junho 19, 2005

Gato branco no Eterno Retorno 



Antes do recital subi a Rua da Rosa [penosamente] até dar com a Rua de S. Boaventura, à minha mão esquerda. Logo ali fica a Ler Devagar, onde não entrei por falta de tempo. Desci alguns metros e dei com a entrada discreta da livraria Eterno Retorno do meu professor Nuno Nabais. Entrei e dirigi-me ao balcão. À primeira vista parecia-me uma sala de estar cheia de livros na parede e com ambiente. Quatro mesas de verga, redondas, uma a cada canto, rodeadas de quatro cadeiras de verga confortáveis. Todas ocupadas com gente que fala serenamente ou que parece trabalhar com afinco. No balcão pedi uma meia de leite, num copo alto, quente, numa noite de verão. Depois peguei no copo e fui sentar-me na mesa do fundo [que se vê na foto] que entretanto tinha vagado. O meu tempo estava limitado pelo início do recital, daí a minutos. Pousei o copo na mesa e olhei o gato branco que passeava sobre as estantes. Lembrei-me do Álvaro e da Lídia. O gato branco aproximou-se e saltou da prateleira para a minha mesa. Tudo tremeu por instantes e o copo verteu um pouco de leite que ensopou o guardanapo de papel sobre o qual repousava. O gato branco aproximou-se do meu copo e parecia interessado em beber dali um largo sorvo de leite morno. Peguei no copo e o gato interessou-se então pelo guardanapo ensopado. Durante instantes fomos eu e ele; um bebendo do copo, outro lambendo o guardanapo, como dois camaradas. Acariciei o dorso luzidio do gato em sinal de paz. Dava todos os momentos do meu dia, à excepção do recital de Vicente Sordera, por outro momento assim. Gato branco saltando sobre a mesa, o leite vertido no guardanapo, aquela intimidade inesperada.

Comments: Enviar um comentário