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sábado, junho 11, 2005

"A Espanha (também) é alta e charmosa!" 



Não nos encontrávamos há cerca de dois anos, senão mais. Tinha estado em sua casa no Verão de 2003, a propósito de uns conselhos que lhe pedimos sobre o ofício de tradutor que ele tão bem conhece. Na altura terminava a 1ª parte do Quixote e o trabalho já não tinha retorno possível. Teríamos tradução daí a algum tempo. Desta vez fui pedir-lhe que autografasse o meu exemplar de capa amarela da obra de Cervantes que o ocupou os últimos três anos de trabalho.

Logo à chegada falámos do que mais gostamos. Dos flamencos, dos clássicos e dos modernos. Ele conhece tudo. Mas prefere, entre todos, o canto fundo e visceral de Jose Menese. E Caracol, que tinha talento para cantar bem e mal. Sobre Lola Flores, de quem sempre dizia mal, até que a viu a dançar dentro de um longo vestivo festivo com cola grande "haciendo revuelos". Não tem especial interesse por Morente, que é um virtuoso, sobre isso não há dúvida nenhuma, e nem por um momento se referiu a Camarón de la Isla, o Jose Monge, falecido precocemente em 1992. E depois os outros; Mairena, Borrico, La Paquera... e uma imensa galeria de nomes e de figuras que pertencem a outra mitologia, da qual mal conhecemos os ecos distantes.

Enquanto me falava destas figuras chegavam de quando em vez outros leitores com o grande livro amarelo, que ele autografava, perdendo-se sempre no nome, que tinha de perguntar de novo. O telemóvel do editor, Francisco Vale, tocava para ele com perguntas dos jornais. As mais enigmáticas, para quem ouvia apenas metade da conversa. Sobre a sua obra de poeta, sobre uma remota tradução de um conto Borges - El Hombre de la Esquina Rosada - a que respondia sempre com humor e com irreverência.

Autografou o nosso exemplar e combinámos um encontro mais para o Natal. Para acertar pormenores de uma visita à João de Barros, onde gostava de o acolher num verdadeiro ambiente de tertúlia para falar da leitura, da releitura e da tradução. O que estará ele a traduizir agora?

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