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terça-feira, junho 21, 2005

Cidade Lida 



Entre as décadas de 20 a 40 Lisboa era, frequentemente, ponto de passagem de alguns dos grandes nomes do jazz. Ao que consta a cidade ainda mantém essa memória um pouco delida de figuras que, entretanto, passaram directamente para a lenda da grande música do mundo. Foi o caso de Josephine Baker que vinha aqui em digressão, aproveitando a desenvoltura do seu prestígio artístico, e a liberdade de movimentos que este lhe proporcionava, para entregar clandestinamente documentos reservados nas embaixadas norte-americana e britânica. Consta que era agente secreta dos Aliados... e frequentava o Bairro Alto, já então um lugar de diversão nocturna. O turista minucioso, que lê a cidade com todos os sentidos que tem à sua disposição, pode ver uma fotografia da artista, numa das suas passagens pelo Bairro Alto, no Restaurante A Primavera, na Rua da Espera. É o que vem no excelente roteiro da CML, concebida no âmbito do Pelouro da Cultura da cidade.

O Roteiro em papel, de que se imprimem e distribuem 45 000 exemplares todos os meses, tem neste sítio, denominado lisboa cultural o seu espaço actualizado na rede.

Mas é possível encontrar nas suas páginas muitas outras histórias, indícios, sinais e ambientes inesperados, percursos para ler. Por exemplo o Centro de Coleccionismo do Crucifixo, que reúne, num edifício antigo daquela rua, uma grande quantidade de lojas de coleccionistas. Ou a misteriosa sobrevivência das casas de penhores de Lisboa, ou aquele bar onde é possível escolher a música ambiente a la carte? Ou aquela peça de teatro que nos conta a história de "uma mulher que vive ligada à net (trabalho, lazer, amores) e um dia, chega um técnico para lhe desligar o cabo por falta de pagamento." Etc... etc...

É uma boa leitura.

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