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quinta-feira, outubro 07, 2004

da ideia de conexão necessária 

"Nem o Governo nem eu próprio quisemos alguma vez calar qualquer tipo de comentário", afirmou o ministro Gomes da Silva, recusando qualquer relação entre as suas declarações e a cessação da ligação de Marcelo Rebelo de Sousa à TVI. Mais pormenores poderão ser lidos nesta notícia do Público.

Aquilo a que o ministro se queria referir, na minha leitura, permanece desde há muitos anos como um dos mais sofisticados problemas filosóficos. Trata-se da questão de saber se entre um evento determinado e outro evento, que se seguem no tempo, podemos ou não discriminar com segurança alguma relação de causalidade. Também chamado o problema da conexão necessária, nomeadamente pelo filósofo escocês David Hume. Se entre uma bola de bilhar que desliza num plano, tocando outra bola de bilhar, que por sua vez inicia um movimento nesse plano, existe alguma relação tangível e observável. De acordo com os empiristas mais radicais não existe na natureza tal fenómeno, da conexão necessária.

Folheando nostalgicamente a Investigação sobre o Entendimento Humano [Essays concerning the Human Understanding] de Hume, com a chancela das edições 70, julgo ter encontrado duas passagens que poderiam ser muito úteis ao ministro para justificar a sua interpretação pessoal dos acontecimentos. A primeira: "E só a experiência nos ensina como é que um evento segue constantemente outro, sem nos instruir acerca da secreta conexão que os liga entre si e os torna inseparáveis"(p. 68). A segunda, muito mais clara e definitiva: "Parece que em casos singulares da acção dos corpos, nunca podemos, mediante o mais extremo escrutínio, descobrir alguma coisa a não ser um evento sucedendo-se a outro, sem conseguirmos compreender qualquer força ou poder pelo qual a causa actua, ou qualquer conexão entre ela e o seu suposto efeito". (p. 74)


- E com argumentos destes quem precisará de contraditório?

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