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segunda-feira, setembro 13, 2004

Sonho húmido 


A ideia tem o seu quê de romantismo e de generosidade. "Libertar" um livro "in the wild" depois de o termos lido, como se se tratasse de uma pessoa a quem não queremos aprisionar na nossa amizade, dá um sentido inesperado à relação com os livros. De leitor em leitor os livros ganham uma biografia e não podem permanecer indiferentes a essa nova história que vão segregando de mão em mão. A posse de um livro, ainda que temporária, é já por si uma história e um cruzamento de circunstâncias e de contingências que não se repetem. Um livro que circula de mão em mão, como acontece nas redes clandestinas de leitura de livros proibidos em Cuba, não pode deixar de ser lido também na acumulação das suas circunstâncias políticas. Hoje já não encaro esse movimento de leitores alternativos, a que deram o nome feliz de Bookcrossing com a boa vontade de antes, sobretudo não me agrada a superficialidade da vida social gerada pelo BC, o ruído objectivamente adverso à leitura que essa gente urbana produz. Por isso achei imensa graça ao brevíssimo post de Pedro Mexia, no Fora do mundo, acerca do Bookcrossing. Vale o clic.

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