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sexta-feira, setembro 17, 2004

Polícia dos Costumes ataca em Viseu 


(foto: Correio da Manhã/ André Amaral)

Em Viseu dois agentes da PSP local entraram numa livraria, pediram um livro e depois exigiram ao livreiro que o retirasse da montra. A notícia é do Correio da Manhã e merece o destaque que lhe foi dado. É o homem que, desta vez, mordeu o cão, não o contrário. De acordo com a notícia os dois agentes explicaram ao responsável da livraria que tinha havido uma denúncia verbal, alegadamente "porque [a exposição do livro] não se enquadrava na cidade". O caso terá mesmo motivado uma participação ao Ministério Público. E como é que se chama o livro, afinal: O Amor é Fodido? Não. A Cona de Irene? Também não. Heliogábalo? De modo nenhum. Mulheres? Bah... Chama-se: "As Mulheres não Gostam de Foder". Foi publicado pela editora Polvo e é da autoria do escritor espanhol Alvarez Rabo. Trata-se na verdade de um ensaio em banda desenhada. O PCP equaciona a possibilidade de chamar o Ministro da Administração Interna ao Parlamento para esclarecer o caso, que também já mereceu a condenação da Associação dos Editores.

Eu, que não sou de Viseu, nem sou mulher, ocorre-me perguntar:
1. O que dirão, de tudo isto, as mulheres de Viseu?
2. E os homens?
3. Como sabem os dois agentes da PSP que o livro "não se enquadra na cidade"? Onde estão os estudos que provem a tese? Perguntaram alguma coisa ás mulheres de Viseu?
4. Como reagirá a PSP do resto do país?
5. A rapidez com que o caso chegou ao Ministério Público obriga-me a repensar o preconceito muito generalizado de que estes trâmites costumam ser muito demorados e excessivamente burocratizados. (Esta não é uma pergunta)
6. Como é que os agentes pediram o livro em questão, caraças... o "As Mulheres não Gostam de Foder"? Apontaram para a montra?
7. Se eu me queixar em Viseu de que na minha rua alguém atira regularmente lixo para o chão, com prejuízo dos passantes, ou bate despropositadamente numa criança todas as quintas feiras de manhã, o processo chega assim tão depressa ao Ministério Público?
8. Um quiosque manhoso, a caminho da escola e do emprego, que exiba e venda revistas pornográficas (não é uma crítica velada e moralista ao género) teria o mesmo problema com a autoridade que teve esta livraria (provavelmente a única digna desse nome na cidade)?
9. Qual terá sido a primeira reacção da Ministra da Cultura, antes de pensar nas eventuais e pouco prováveis consequências politico-parlamentares do caso, ao ouvir ou ler o relato do incidente?
10. Quantos exemplares do livro do Rabo se venderam já em Viseu?
11. O nome do escritor - Alvarez Rabo - daria um bom pseudónimo, caso fosse necessário?
12. Em que parte do país se registará a próxima actuação da Polícia dos Costumes?

Comments:
Recuso-me a acreditar. É a escola do Dr. Portas?
 
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