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quarta-feira, setembro 29, 2004

O mapa conceptual da realidade 



Recebemos todos os anos um ou dois grossos volumes de oferta, sem que o editor nos peça nada em troca. Contêm milhares de informações úteis que facilitam a ligação entre as pessoas. Obra de múltiplos autores minuciosos, constitui um verdadeiro atlas da realidade, um interface com o mundo. Seguindo uma economia estrita na disposição dos seus dados, ajuda-nos a poupar tempo quando não podemos perder nem um segundo. Podemos sentar uma criança à mesa com o seu apoio (um político de pequena estatura foi aconselhado a útilizá-las para chegar ao microfone). Depois de usada ainda serve para enrolar castanhas: São as Páginas Amarelas da região de Lisboa.

Recebi há dias a edição de 2004/ 2005 das Páginas Amarelas. É uma obra monumental que nunca lerei na íntegra, mas sei que está ali se precisar dela para uma emergência. É mais ou menos o que parece acontecer com outras obras clássicas, tal como o Ulisses de James Joyce ou La Recherche de Proust, mas noutro âmbito. A obra tem evoluído muito nos últimos anos, ao que vejo. Esta edição conta com 1154 páginas de números de telefones, para além das informações preambulares que ocupam 36 páginas. Cada página encontra-se organizada em 4 colunas, com frequentes destaques e molduras, a várias cores e tipos de letra. A Lista abre com publicidade ao próprio volume que vem a público, depois segue com os telefones mais úteis, em diversas e cada vez mais sofisticadas categorias, a Planta de Lisboa, um guia para ajudar o utilizador a consultar a obra, apoio ao utilizador estrangeiro (Inglês, Francês, Espanhol e Alemão), um útil índice de títulos e finalmente mais de um milhar de páginas com informaçõa nuclear: de "Abat-jours" a "Zincogravura", sem esquecer os "Atrelados e Reboques", "Cabeleiras Postiças", "Chocolates e Bombons", "Direct Marketing", "Estores e Persianas", "Ferro Forjado", "Gruas e Guindastes", "Impermeabilização", "Lares e Pensionatos", "Pastelarias e Confeitarias", "Plataformas Elevatórias", "Relógios de Ponto", "Tectos Falsos", "Transitários", "Vedações", "Vidraceiros", "Viveiros" e "Xistos".

E pelo meio é toda a cidade em nove dígitos que nos passa pelos olhos. Trata-se de um verdadeiro livro de areia, um tratado alfa-numérico sobre a cidade e sobre o modo como iremos relacionar-nos uns com os outros, um mapa conceptual da realidade, em suma. Quantas vozes se encontrarão em virtude desta fina trama de algarismos? Quantos mistérios serão desvendados, quantos serão entretecidos?

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