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terça-feira, setembro 21, 2004

Café cantante en Almada 


Assunción Pérez "La Choni", Vicente Gelo e Raul Cantizano

De acordo com o livrinho que comprei em 1996 em Toledo, perto da praça Zocodover - El Flamenco, Alicia Mederos, Acento editorial, Madrid, 1996 - por apenas 500 ptas: "Tales fueron la fuerza y el arraigo que tomaron estos cafés que en algunos de ellos se llegaron a lidiar novillos." Nos tempos que correm, tão propícios ao moralismo, é difícil imaginar estes ambientes vitalistas, esperpênticos, sem recear o pior. Mas os cafés cantantes foram sobretudo espaços onde surgiram os primeiros profissionais do flamenco. A partir dos finais do século XIX - em 1842 terá surgido o primeiro, em Sevilla - consolidou-se um circuito profissional de salas e tablaos para a fruição do flamenco, por parte de um público urbano ávido, que garantiria a emergência de grandes nomes e a sua sobrevivência artística. Consta que Silverio Franconeti, o mítico cantor cujo canto profundo e rutilante podia matar um pássaro em pleno voo, também possuiu um desses cafés cantantes.

Foi essa tradição que o pequeno grupo veio trazer a Almada, no sábado à noite ao Forum Romeu Correia. Semblanza Flamenca é o nome da formação que reune três figuras da arte: no baile Assunción Perez "La Choni", na guitarra flamenca Raul Cantizano, no canto e nas palmas, Vicente Gelo. Alegrias de Cádiz, uma sevillana no final para agradecer ao público, rumbas, cantos de ida e vuelta, bulerias, fandangos, completaram o ramalhete do breve espetáculo de canto, baile e guitarra. Artista jovens, na casa dos trinta anos, souberam deixar com o público uma imagem de sobriedade e parcimónia. Quem esperava a flamencada habitual, muita pandeireta, muito revuelo e muito jaleo, assitiu a um espectáculo simples, económico, que nunca entusiasmou verdadeiramente mas que valeu a pena e aguça o gosto. Infelizmente em Portugal não há público a sério para os grandes nomes. Nunca teremos entre nós Enrique Morente ou Chano Lobato, Jose Menese, La Paquera, Tomasa Guerrero, Rancapino, El Agujetas. Duquende, Miguel Poveda (que actuou há oito anos para vinte pessoas no teatro da Trindade), Jose Merce, Niña Pastori, Carmen Linares, Estrellita Morente, vieram nas não deixaram público.

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