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quinta-feira, setembro 23, 2004

Arquivo morto (5) 

Continuo a desenterrar notícias do ano passado, da década passada, do século passado. Ainda me impressionam, apesar de algumas se terem tornado relativamente mais ridículas do que no momento em que foram redigidas e publicadas. É o lento movimento de deriva de todas as coisas em direcção a nada de relevante. Um dia os factos deram origem a uma história, depois passaram a substãncia de arquivo, dentro de momentos serão apenas lixo. Desta vez apanhei três papéis (ainda hesitei).

Vidente não prevê o efeito funesto da sua própria previsão - É o que eu concluo desta história. Um romeno suicidou-se depois de uma vidente ter previsto a sua morte ou a do seu filho dentro de poucos dias. Mircea Teodorascu, de 51 anos, resolveu então suicidar-se para salvar a vida do filho de 23. Fechou-se na cozinha e empunhou uma grande faca com que se golpeou. Morreu pouco depois no hospital. A vidente de 71 anos, que não previu as consequências da sua previsão, rejeitou qualquer responsabilidade na morte, alegando que os clientes interpretam as suas respostas "conforme o seu próprio estado de espírito". Prever o futuro, a ser possível, permitiria manipulá-lo convenientemente. Por isso não acredito em videntes. (DICA da Semana, 30-1-2003)

Etarra reformado - Não se trata de uma notícia mas de um eloquente cartoon de Forges que publica regularmente no El Pais. Um quadro com um idoso sentado no vazio, só vazio à volta e o título: 2025... Nada por cima dele, nem por baixo, nem ao lado, à excepção do texto: "Etarra jubilado en el parque (que NO se pudo construir por sus acciones), viendo jugar a los nietos (que NO tuvo por los 30 años de cárcel), con otros niños (que NO pudieron nacer pos sus asesinatos)." Definitivo, como a morte. (El Pais, sem data)

Previde Silva, escravo do consumo - Brasileiro, 35 anos e habitante de S. Paulo. Foi detido pela polícia no metro da cidade a anunciar a venda da sua filha recém nascida. Pedia 760 contos, coisa pouca. Tinha visto na televisão uma reportagem garantindo que alguns ricos estariam dispostos a pagar para ter uma criança. Ele e a mulher, Marli Rosária, decidiram tentar o negócio. Acabou mal. (Público, 11-4-1996)

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