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terça-feira, setembro 14, 2004

Arquivo morto (1) 

Estou a destruir uma parte dos meus arquivos. A parte que é feita de irrelevâncias: esboços de trabalhos, maquetas, folhas manuscritas, imagens sem legendas, catálogos de agências de viagens, notícias de jornais. Naturalmente continuo a guardar para uma emergência improvável os preciosos bilhetes de viagens fora do país, talões de comprar em férias, planos de cidades, guias turísticos cheios de publicidade comercial, entre outros papéis a que prevejo pelo menos mais um ano de vida - até à próxima razia.
Descobri numa caixa uma mão cheia de recortes, selecionados de acordo com a estranheza e a fantasia que me provocaram quando os li. Aqui fica uma lista breve:

Placenta estufada - Na província de Sichuan, na China, um restaurante particular serve placenta estufada, para além dos pratos de serpente e de burro. O produto é fresco, pois é servido pelo hospital local. O preço: 50 yuans (cerca de 4,95 €) (Público, 15-1-1994)

García Escalero, assassino em série - Um mendigo de Madrid foi preso e acusado de ter assassinado 15 pessoas, segundo afirmou empurrado "por uma força interior". O psicopata, que possui no braço uma tatuagem que representa uma urna azul com o dístico "Nasceste para sofrer", actuou durante 7 anos, sem levantar grandes suspeitas. Em tempos acorria ao cemitério de Nuestra Señora de la Almudena para profanar túmulos. Tinha 39 anos e uma inteligência bastante limitada. (El País, 29-1-1994)

Morte em Directo - A SBT, cadeia de televisão privada brasileira, foi condenada pelo tribunal a pagar 1,2 milhões de dólares à família de uma jovem cujo suicídio foi transmitido em directo. O drama teve início com um telefonema da suicida a um dos programas especializado em violência urbana, anunciando que se ia matar. A produção enviou uma equipa com o pivot até ao local onde a jovem se encontrava, a tempo de registar o seu suicídio. Depois acorre a casa da família para recolher as reacções dos pais. Dias depois novo directo do funeral da rapariga. O caso acabou em tribunal, com a condenação da SBT que reclamou "liberdade de Imprensa e guerra de audiências", perante um juiz insensível às suas alegações. (DN, 2-10-1994)

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