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quinta-feira, agosto 05, 2004

Todos ao Coliseu 

O programa passou no canal 1 na noite de segunda-feira. Apanhei-o enquanto fazia o meu zapping diário (outros farão jogging) mas vi praticamente tudo. Uma homenagem a José Afonso, no dia (presumo) em que faria 75 anos se fosse vivo. Morreu há vinte anos ou perto disso; recebi a notícia quando estava mergulhado na escrita penosa de mais um trabalho para a faculdade. À mão, como eu fazia na altura, antes de o passar à letra redonda da Oliveti. Mas é outra história.
O programa - JOSÉ AFONSO AO VIVO NO COLISEU - é um espetáculo gravado a 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Seria o seu último espetáculo e também o primeiro em muitos anos na capital. Foi um acontecimento na altura.
Convenci os meus amigos a ir ao concerto, o Branco e o Rui. Passei pelas bilheteiras com antecedência mas os bilhetes esgotaram num instante e noutros muitos postos de venda. Nada feito. Resolvemos então tentar a sorte. No dia do espetáculo fomos para a entrada dos artistas e convidados, ao fim de uma rampa de paralelepípedos, onde já se encontravam dezenas de borlistas ou de infelizes como nós. A polícia, do outro lado do portão, não dava hipótese. Alguns mais atrevidos pediam para deixar entrar. Mas só entravam os convidados, furando por entre uma pequena multidão, à frente da qual nos encontravamos. O portão de ferro agitava-se sempre que o entusiasmo subia de nível, mas nada mais. Ouvimos um longo aplauso vindo do interior da sala, a anunciar o início do espetáculo, a entrada em palco de José Afonso. A multidão agitou-se nervosamente. Minutos depois, muito poucos, o portão foi aberto de novo para dar entrada a mais convidados e aí alguém tratou de o travar ao mesmo tempo que eramos atirados contra a polícia, empurrado por dezenas de pessoas. Não havia nada a fazer, a tímida resistência policial deu de si e lá entrámos todos (ou a maior parte, até que foi possível travar de novo a corrente). Lembro-me de estar ali, entre gente atónita como eu e com o objectivo de entrar no Coliseu a todo o custo. Mas entre nós e a sala havia uma alta porta de madeira fechada. Dava de si mas não abria para dar passagem. Até que o Branco se lembrou de meter a mão por dentro, aproveitando a folga, e procurar um ferrolho. Puxou e a porta abriu-se num ápice. Entrámos de rompante e em segundos estávamos no interior da sala, numa das entradas periféricas, aquela que se situa precisamente de frente para o palco. Parecia um milagre. Aí ficámos os três a ver o espetáculo. Acho que me vi no programa, lá muito ao fundo, mas isso é improvável e pode não passar de fantasia. Ainda ouvimos José Afonso a cantar o fado de Coimbra: "Águas do rio correndo..."

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