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segunda-feira, agosto 23, 2004

"Somos já só memória!" 

Mais de metade das crianças japonesas em idade escolar não viram ainda o põr-do-sol nem o nascer do sol. Diz o The Guardian, interpretando um inquérito que realizou entre 900 crianças desse país. O que é a infância sem estas coisas que nunca se esquecem? Afinal, nas palavras definitivas de um poeta inglês ("a melhor poesia do mundo") não é verdade que "a criança é o pai do homem"? Estava eu nestes pensamentos quando chegou o Knopfli à mesa do café de onde frequentemente vejo o sol a declinar por entre as empenas dos prédios de design suburbano. Vinha talvez a pensar no mesmo. Na infância e na literatura que se faz depois, com a infância às costas. "- Porque o mundo da infância - como você sabe - prevalece nos meus livros." Não duvido, é o autor das suas obras quem o diz. Os extremos tocam-se. Quanto mais velhos mais nos agarramos ao que ficou da infância muitas vezes evocada. O lugar das recordações da infância não regride, não diminui, ao contrário disso, parece que aumenta. Diz-me ele, visivelmente entusiasmado: "- O problema linguístico é curioso. Não sei se é da idade - você sabe que é um processo estar-me a lembrar disto... Se calhar, se você tivesse vindo há dez anos falar comigo sobre isto, nada me acudiria à memória... mas a memória dos velhos acorre à infância! Dizem-me os meus pais que eu, em miúdo, falava - não digo fluentemente -, mas que me entendia perfeitamente à vontade com eles."
A memória é, frequentemente, o sítio onde nos sentimos melhor. O único problema é que o excesso de memória quase sempre nos brinda com algo de melancolia. Enfim. Remata o Knopfli, hoje parco em palavras: "- Embora estejamos vivos, somos já só memória."

Comments:
Agora é a minha vez Gustavo. Desta vez não irei comentar. Agora sou eu que recorro à sua experiência no Blogger.
Como é que se introduzem as imagens junto do texto?
 
inexplicavel-mente não existe espaço de memória e se estiverem como sempre estiveram, atentos, livres, responsáveis... existe um espaço de infância em que ela própria resulta num hoje de curiosidades sempre de contactos para apresentações.
 
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