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domingo, agosto 22, 2004

Espírito olímpico 

O meu maior sonho era ter corrido a maratona, ser um maratonista de trazer por casa, porque para mais não daria. Nunca corri a distância mas durante um certo período de tempo obedeci diariamente aos planos de treino de um actual treinador olímpico, ex-atleta consagrado. Foi o mais perto que estive das olimpíadas, não contando com as longas horas de televisão das transmissões de atletismo (corridas de fundo e meio-fundo), da canoagem, da ginástica e de um pouco de tudo o resto. Acordei para o espírito olímpico televisivo com as olimpíadas de Montreal, se não me engano. Ainda me lembro do hino dos jogos em francês. Hoje sigo as imagens das provas com menos interesse (cortei entretanto afectivamente com o atletismo), talvez à excepção da maratona que continua a seduzir-me misteriosamente. É a prova, pela desproporção do esforço exigido, onde os homens mais se confundem com os deuses. E um maratonista é sempre uma criatura obcecada. Basta ver a máscara de esforço e determinação e tudo para cruzar uma linha de meta.
O Nelson Évora e o treinador, João Ganço, tiveram a sua manhã olímpica. Mas o Nelson não conseguiu qualificar-se para o concurso do triplo salto. É preciso ver que o rapaz há um ano ainda andava fora da alta roda do atletismo mundial... Não os vi, andei a fazer a minha ronda clínica nessa manhã. Espero por eles nas próximas olimpíadas, em 2008. Nem sei onde.

Comments:
Caro Gustavo, a depravação olímpica corre mais depressa que os velocistas. Baco será a figura mitológica que se apresenta melhor colocada no patrocínio aos atletas olímpicos. As adegas deram o lugar aos laboratórios hipotecando o espírito olímpico. Receio estar a perder o olhar romântico que lançava sobre o atleta mítico. Contudo, continuo a espantar-me com os limites da natureza humana.
 
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