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quinta-feira, julho 08, 2004

XXI Festival de Teatro de Almada (a aventura continua) 

O Festival de Teatro de Almada, a XXIª Edição, já chegou. Vinte anos depois da primeira mostra de teatro amador no acanhado Beco dos Tanoeiros o Festival ganhou uma dimensão enorme. Para além do que é previsível - boas encenações de companhias portuguesas e estrangeiras - há música, exposições, debates e colóquios, worshops, um curso de teatro, leituras de peças, o lançamento de um livro, para não falar da esplanada onde se podia comer, na passada terça-feira, Cação de coentrada e Filetes com arroz. O programa deste ano, oferecido numa brochura discreta e profissional, apresenta-nos toda a oferta, com detalhes preciosos. Fotos das primeiras edições do Festival, textos evocativos do percurso que já foi cumprido, a inevitável prosa da presidente da Câmara (desta vez merece, pela grandiosidade da iniciativa e pelo apoio da CMA) e uma síntese minuciosa e bem escrita sobre cada um dos espectáculos apresentados.



Hoje, dia 8 de Julho, sobe à cena, pelas 18.30, no Teatro Taborda em Lisboa, Natura Morta in un Fosso da autoria de Fausto Paravidino e encenação de Serena Sinigaglia. A peça será em italiano, legendada em portugês e tem a duração de 1H30m. A companhia é a A.T.I.R. - Teatro Juvarra de Torino. Mais tarde, pelas 21.00H no Teatro São Luiz, será a vez de ver La Brisa de la Vida, de David Hare e encenação de Lluis Pasqual. Duração da peça da companhia espanhola Nacho Artime: 1H30m. A língua é a espanhola, por supuesto.
As iniciativas cruzam-se diariamente a um ritmo que até se torna difícil de seguir, a não ser que alteremos a nossa rotina durante duas semanas. Por isso a assinatura de 65 € e a assinatura especial para jovens com menos de 25 anos ou adultos com mais de 65, no valor de 35 €, é uma oferta. Nada a acrescentar.
A participação mais inesperada será, talvez, a da Orquestra Feminina Andaluz de Tetuã que actuará no Palco Grande no dia 14 pelas 22h00. É um grupo que se especializou em dois géneros musicais distintos, a Nuba (música clássica árabe dos séculos XII a XIV) e a Chaabi, popular, que remonta aos séculos XIX e XX.
Mas há mais: Heldenplatz (A Praça dos Heróis) de Thomas Bernhard, a 15 e 16, Emmanuel Kant, também do autor austríaco, a 11 e 12, onde o filósofo é surpreendido a bordo de um navio a caminho de Nova Iorque, onde será agraciado com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Columbia, aproveitando também para tratar das cataratas.
No programa da Ana Sousa Dias, Por Outro Lado, Joaquim Benite referiu-se a um grupo argentino que representa para uma pessoa de cada vez. No Programa aparece, de facto,a referência a Cuentos para un Invierno Largo que será representado na esplanada da Escola D. António da Costa. Não sei se aí se manterá a promessa de intimidade dessa força personalizada de representação, tipo on demand.



Tenho sido um mau espectador do Festival. Fui algumas vezes, com assinatura oferecida pela Junta de Freguesia de Corroios, e com bilhte pago. Recordo-me de ter assistido em dois anos consecutivos ao Lazarillo, com um iluminado Rafael Alvarez "El Brujo", que já vira antes (ou terá sido depois?) no Festival de Teatro de Mérida a representar, também em estado de graça o Anfitrião de Plauto. Inesquecível, qualquer delas. Em 1999 assisti a outra obra prima de Goldoni, com encenação de Giorgio Strelher, Arlequino, servidore de due patrone. Também me recordo, provavelmente no mesmo ano de uma versão (eu chamei-lhe lobotómica, porque me pareceu que a peça tinha sido lobotomizada) da peça de Lorca A Casa de Bernarda Alba. Mas os momentos de felicidade poderiam ter sido muitos mais, tantos mais que nem me ocorre dizer mais nada sobre as oportunidades que perdi.

Para visitar a excelente página do festival deste ano é só clicar aqui.

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