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sexta-feira, julho 02, 2004

Sophia 

"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar."


Sophia de Mello Breyner morreu esta tarde. Lembro-me de a ver sempre muito bela, com um olhar altivo e generoso, como se escondesse de todos, para só a revelar nos seus poemas, uma emocionante vocação de luz. Uma das imagens mais remotas de que me recordo veio no Jornal de Letras, há muitos anos; reproduzia uma foto de Sophia durante uma viagem à Grécia. O seu corpo recortava-se delicadamente na luz ática com a naturalidade de uma coluna cinzelada, irradiava no meio da luz.
Vi a poetisa há alguns anos em Lisboa durante um mês dedicado às Letras Espanholas. Na mesa tinha ao lado Eugénio de Andrade e Rafael Alberti. Recordo-me da expressão de nojo que deixou transparecer quando Alberti lia um dos seus poemas. Mais pelo objecto da inspiração do que pelo poema em si mesmo, creio eu.
Os poetas não são apenas a soma aritmética ou editorial dos seus poemas. Sophia acrescentava à rara inspiração da sua poesia a presença física do seu corpo de poetisa. Sophia também era um poema e o seu mistério consistia em irradiar poesia, mas sem combustão, sem perda, sem entropia, sem desvio.
Podemos encontrar muitas referências a Sophia de Mello Breyner Andressen, nomeadamente neste sítio, neste lugar.

Entre tantos poemas copiei este. "Esta é a madrugada que eu esperava..."

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

Comments:
O outro dia interei-me da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen. Fiquei triste pela notícia. Mais penso que ela nunca vai morrer, só deixará de escrever.
Quero agradecer à pessoa que ma deu a conhocer. Foi uma descoberta tardia para mim.
Sempre que vejo a mar, o mar é outra coisa, vem à minha memória algum verso da Sophia. Hoje foi este:

Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
 
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