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domingo, julho 04, 2004

Morrer na praia 

Não é possível fazer previsões credíveis (e isto não é uma previsão, é um princípio) e por isso nada do que aconteceu poderia ter sido previsto. Nem o resultado deste último jogo com a Grécia, nem a derrota inesperada do jogo inaugural com a mesma selecção; também não poderiamos prever o entusiasmo genuíno que envolveu praticamente toda a gente, a redescoberta de uma alegria frívola e autêntica, a redescoberta da bandeira portuguesa, a fantasia de cada rosto pintado que se mascara para mostrar em grande contraste o que a pele nua não revela; também ninguém esperava a capacidade de mobilização para uma coisa tão simples como o acompanhamento da selecção até ao estádio (valeu por quase todo o EURO); a imaginação e o seu poder criador, mesmo no modesto âmbito da vida individual, também ninguém esperava; nem o sucesso e a extrema eficácia na organização, como parece que foi o caso; poderíamos talvez ter previsto o óbvio entusiasmo que o futebol provoca, pelo menos a este nível, mas não a paixão em que vivemos embalados durante três semanas. Eu também não imaginava nem podia prever que uma derrota nos deixaria ainda em estado de alegria - há pessoas que festejam no Rossio e ouço buzinadelas a lembrar que...
Não acredito que esta alegria, este entusiasmo, possam valer para confrontar as dificuldades reais, essas sim incontornáveis, que sirvam para as resolver. Esta alegria não serve para nada e este entusiasmo esgota-se ao virar da noite. Mas o amor, como diz no poema, e o entusiasmo destes momentos excepcionais são (roubando a Vinicius) "eternos enquanto duram". A partir de amanhã, em conjunto ou cada um por si, na solidão do nosso modesto ofício, sem o glamour do futebol e sem a sua epopeia irresistível, teremos de voltar, tanto quanto possível, à "margem da alegria" em torno da qual nos reunimos tão efusivamente nestas últimas semanas.


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