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domingo, julho 04, 2004

Moblogs, quem ouviu falar deles? 

Quando finalmente tivermos a possibilidade de dizer e de dar a ver tudo o que quisermos, a qualquer momento e sem limites, ainda há comunicação? Ou restará apenas ruído, num mundo de tecnologias ao serviço do desejo sôfrego de comunicar a qualquer custo? Eu não sou pessimista, acredito que será possível comunicar cada vez com mais qualidade apesar do imenso ruído a que estaremos então sujeitos. Teremos de aperfeiçoar a nossa atenção selectiva e blindá-la contra o SPAM generalizado numa sociedade em vertigem de comunicação.
Vêm estas palavras a propósito de um artigo que descobri no disco do meu computador - guardei-o e esqueci-me dele, agora aparece-me como uma novidade absoluta. Trata-se de "Webloggers" Saem para a Rua e, tanto quanto me posso lembrar, terá saído no jornal Público em 22 de Setembro de 2003, já lá vai quase um ano.
"O jornal sueco "Goteborgs-Post" publicou no dia 4 deste mês, pela primeira vez, uma foto obtida por um repórter, no caso tratava-se de um acidente de viação, através de telemóvel. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, mas é mais um episódio na mais recente tendência no mundo da publicação - a possibilidade de obter e enviar imagens a partir de (quase) qualquer local, via telemóvel, e que trouxe a primeira evolução ao jovem fenómeno dos "weblogs", que passaram a ter também a variante dos "blogs" móveis."
Claro que esta possibilidade já está dada desde o momento que as tecnologias são desenvolvidas e comercializadas e estas funcionem de forma compatível. Por isso a publicação num jornal sério (presumo eu) de uma foto tirada por telemóvel, por um jornalista surpreendido pelo acidente, é apenas um primeiro passo e foi uma questão de tempo. As perspectivas que se abrem são amplas e não afastam o perigo, - antes pelo contrário, aproximam-no perigosamente, - de uma utilização caótica deste novo recurso, colidindo ou esmagando mesmo o direito à reserva da intimidade. O passo seguinte (provavelmente já ocorreu) será o de fazer um directo para um canal televisivo a partir de um telemóvel devidamente equipado com câmara de filmar. Podemos imaginar já (para elevar esta possibilidade à sua caricatura) o que seria um canal feito exclusivamente com estes directos, cujas imagens seriam enviadas por internet de grande velocidade, a partir de telemóveis transportados por pessoas comuns na ida para o trabalho, no regresso das compras, na escola, no restaurante, na reunião da empresa, na viagem de fim de semana, no encontro íntimo e no estádio de futebol. Provavelmente seria um pesadelo. Ou mais um passo para um pesadelo de novas dimensões.
Mas a grande novidade de que se fala é a emergência de um tipo novo de blogues, os Moblogs, que podem ser actualizados desde qualquer local, a partir do telemóvel, com a última foto. O moblogger (será assim que se escreve?) poderá publicar no instante seguinte as suas imagens e os seus comentários, utilizando para este efeito o teclado do telemóvel. O novo termo resulta da aglutinação em inglês de "mobile blogs".
No artigo de jornal cita-se Howard Rheingold, um teórico destas matérias, em referência ao ano de 2002: Estou confiante que, quando este livro for publicado, os 'bloggers' de rua terão já construído uma cultura mundial", escreveu o norte-americano Howard Rheingold em "Smart Mobs: The Next Social Revolution", em Outubro do ano passado. Autor de vários livros sobre mente e tecnologia e conferencista que aparenta um razoável sucesso (http://www.rheingold.com/), Rheingold escreveu um artigo para a Online Journalism Review (http://www.ojr.org/), uma publicação "on-line" da Escola de Comunicação Annenberg da Universidade da Califórnia do Sul, onde diz que "é óbvio que está a emergir um novo fenómeno social mas que ainda não é claro se estamos a assistir a uma moda passageira ou à emergência de um novo e poderoso 'medium' para a acção colectiva, como a literacia que foi permitida pela imprensa escrita e pela Internet".

REPORTER ACIDENTAL

Quando qualquer um de nós puder encontrar-se na situação de um reporter acidental, de telemóvel na mão como quem empunha um microfone ou uma câmara, poderemos perguntar se a qualidade da comunicação aumenta na razão directa da quantidade de comunicadores disponíveis. Mas esta democratização da comunicação e da possibilidade de produzir informação é inevitável; com o progresso contínuo dos recursos tecnológicos não podemos esperar que os utilizadores mais convictos aceitem desempenhar um papel meramente passivo.
A 5 de Julho de 2003, há mais de um ano, portanto, realizou-se em Tóquio (pois claro!) a Primeira Conferência Internacional sobre Moblogging onde se discutiu o impacto desta modalidade de comunicação no jornalismo. Nas palavras de um dos organizadores, naturalmente optimista: "Todas as barreiras à publicação, que até [então] existiam na publicação a partir de computadores pessoais, desapareceram com o 'moblogging', e isso é espantoso". Por outro lado também poderemos perguntar de que modo a partilha e a produção da informação aproxima os cidadãos do poder, ampliando a sua capacidade de influenciar decisões. Que a democratização dos meios de comunicação contribui directamente para a melhoria da qualidade da democracia, também é uma questão a dscutir. Quem sabe o que é a democracia electrónica, e de que legitimidade nascente se nutre ela? Eu não sei. Muito optimista, quase visionário, é como podemos avaliar Rheingold, o teórico citado no artigo do Público: "Apesar do seu valor como meio de entretenimento e de interacção social, a promessa mais importante do 'blogging' é a de que pode ajudar a revitalizar uma esfera pública moribunda, que é tão essencial à democracia quanto o voto", escreveu Rheingold no citado artigo. "Há sinais de que, ao fim de mais de uma década de insignificância política, o potencial democrático da Internet está a ser percebido por mais pessoas todos os dias. (...) O 'moblogging' é a convergência das possibilidades técnicas com a insaciável sede humana por novas maneiras de aprender, criar e comunicar, e a necessidade política de um verdadeiro e efectivo jornalismo entre iguais, por oposição aos cartéis do 'desinfoentretenimento'."

NOTA: Para ler um artigo sobre moblogs, dos muitos que estão disponíveis na net, clicar
aqui.
Para ver exemplos de moblogs pode tentar aqui, por exemplo.

Comments:
Best regards from NY! Handmade cards with dried flowers
 
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