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sexta-feira, julho 02, 2004

Justiça Poética 

O melhor de mim queria que a República Checa passasse à final do Euro 2004. Não pensei em Praga nem no Kafka, pensei apenas no futebol culto, aventuroso e cheio de fantasia que os seus jogadores (dizem) praticam dentro do relvado. O pior de mim queria que a Grécia chegasse à final de domingo, driblando a versão tendenciosa da realidade que nos habitua a esperar que o futuro imite obedientemente o passado. O pior de mim venceu desta vez e por isso, no instante seguinte ao pontapé de canto que acabou em golo, o meu dilema moral dissolveu-se numa mágoa muito profunda. Foi a primeira vez neste EURO, que já nos deu imagens de beleza e de loucura, de ingenuidade e de humor, que senti mágoa. Uma mágoa sincera de quando sentimos que algo de muito injusto acabou de acontecer e isso é irreversível. Não há nada de mais irreversível e gratuito que um golo válido que resolve um desafio.



Espero que no domingo que vem, num jogo que termina o campeonato em espelhismo, numa simetria suspeita que nos coloca de novo frente à Grécia... espero que se possa fazer uma espécie de justiça poética, já que a outra não pode ser aqui convocada. Que Portugal e a grande mágoa checa vençam lealmente o 'seleccionado' grego. Não se pode pedir mais mas talvez não possa pedir tanto.

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