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segunda-feira, julho 12, 2004

Foguetes para Maria de Lurdes Pintasilgo 

Quando foi candidata à Presidência em 1986, contra Mário Soares, Freitas do Amaral e Salgado Zenha, Lurdes Pintasilgo veio a Almada. A esquerda estava dividida (com três candidatos) e o risco da eleição de Freitas-Prá Frente Portugal era enorme. Mas o pavilhão de uma colectividade da Cova da Piedade encheu completamente para receber a candidata. E os apoiantes esperaram algum tempo porque a caravana estava atrasada. O clima era festivo, com o jornalista Fernando Alves a manter o nível de entusiasmo no máximo. A certa altura explicou ao auditório que a candidata estava a chegar porque já se tinham ouvido os foguetes, lançados por um eventual comité de recepção, no preciso momento em que a caravana tinha entrado no concelho. Minutos depois o jornalista voltou de novo ao palco e exibiu um BI, lendo com ênfase o nome e o número. Era o BI de Maria de Lurdes Pintasilgo. Aplauso enorme e começou o discurso da candidata. Recordo-me destes preâmbulos, não me lembro de mais nada. Talvez tenha estado também num comício de campanha no pavilhão dos Desportos, mas isso já é mais duvidoso. Pode nunca ter acontecido.
Depois os resultados nas urnas foram o que se sabe e daí a semanas votava livremente no meu candidato, após um breve devaneio voluntarista. Fiz parte de um adjectivo que quase sempre assumiu contornos pejorativos, lançado na arena do combate político como um índice de menoridade ideológica - o pintasilguismo. Quem se recorda hoje disso? O que teria acontecido se Mário Soares não tivesse superado em não sei quantos pontos percentuais (muito poucos) o candidato Salgado Zenha? Não faço ideia, mas estas contas são o que menos interessa quando morre uma pessoa como a engenheira Lurdes Pintasilgo.

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