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quarta-feira, julho 14, 2004

"A festa é nossa" 

Volto sempre, todos os dias, apesar de um poeta do renascimento ter teorizado com subtileza que a recordação da felicidade passada, e quanto mais viva, é causa de tristeza no presente. Quanto maior a alegria recordada, maior a melancolia. Não disse alguém (circulamos entre citações que nos ajudam a sentir) que a melancolia é a alegria dos tristes? Gostava de ter sido eu a dizê-lo, basta-me então ser eu agora a repeti-lo. Volto sempre aos sons da rádio e já me parecem muito distantes. As frases separadas da música e dos gritos de alegria dos comentadores são uma prosa sem vitalidade. Mas gosto do ênfase de quem diz: "Portugal agora com dois mágicos em campo" e gostava que isto fosse verdade também fora do campo. E estremeço quando algumas frases parecem ter ganho a força de uma premonição, depois daquilo que elas apenas adivinhavam acabou por acontecer (a verdade é que nenhuma premonição nos pode garantir o seu sucesso pleno). O resto é aquilo que cada um sentir com os sons da rádio, levados até ao limite da compressão, palavra com palavra, som com som, gemido com grito, sílaba com soluço. Volto sempre a ouvir estes sons da TSF até que a recordação desta felicidade passada (e perdida) se torne um hábito.

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