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quarta-feira, junho 30, 2004

Vou para estágio... na pizzaria Rafael 

É difícil não falar, não escrever, não pensar em futebol. Sobretudo nestes momentos em que o nosso instinto supremacista (a palavra tem conotações execráveis mas aqui utilizo-a em versão aligeirada) acaba por dominar tudo. E faz sentido, se é instinto e se é desejo e pulsão de superioridade. Ou seja, então cá estamos mais o futebol e a selecção nacional. Nesta vertigem até já mandei vir com os rapazes da área nacionalista, que se devem sentir um pouco ultrapassados por esta onda verde-rubra de nacionalismo instantâneo. O Fernando Pessoa, que me visitou esta manhã, e se sentou à mesa do café onde ontem esteve o Bispo resignatário de Setúbal (a alusão é caótica mas é verdadeira), que gastou metade do tempo a comentar comigo a situação política portuguesa, no momento histórico em que estamos à beira de uma final europeia, também me falou de livros apreendidos and so on. Também ele, que é um adepto da Académica, reminiscência dos seus tempos de Coimbra (tantas histórias...) me diz que se está nas tintas para o resto; o importante é que a selecção ganhe o Euro.
Agora que faltam 60 minutos para o jogo começar vou retirar-me para o Rafael - o meu café de bairro - e fazer o meu estágio mínimo. A meia de leite, o jornal e um tumulto de notícias sobre a fuga para a comissão europeia do selecionador nacional... as perspectivas de um jogo difícil e decisivo, contra uma selecção habituada a vencer, declarações sobre a situação política e sobre o onze titular. Depois volto a correr para casa, sobre as 19.30, a equilibrar uma pizza familiar no dedo indicador e já pode começar.

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