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quarta-feira, junho 16, 2004

ReJoyce... vai um pratinho de rins de carneiro grelhados para a mesa do fundo! 

Passam hoje, 16 de Junho, 100 anos sobre um dia inventado. O Bloomsday, que designa aquela peregrinação em labirinto, realizada entre as 8.00 horas da manhã de 16 de Junho e as 3.00 da madrugada do dia seguinte, em 1904, por Leopold Bloom, nas ruas de Dublin. Dezenas de países comemoram hoje por todo o mundo, com as mais variadas actividades joyceanas, essa data de ficção que marca o romance de James Joyce.
A minha edição do Ulisses é a de António Houaiss, brasileira, publicada pela Difel em Agosto de 1983. Lembro-me do dia em que chegou às livrarias e também me lembro de ter saído do Beato, onde trabalhava na altura, e de correr à Bertrand, no próprio dia para adquirir a obra. Paguei 980$00 (4,90 €) pelo livro, o que na altura era muito. Entretanto saiu a edição portuguesa-em-português-europeu de João Palma-Ferreira. Fiz várias tentativas para ler a obra mas desisti sempre ao fim da primeira página. Empenhei a minha palavra e depois não cumpri a promessa de leitura, estive para participar numa leitura colectiva do BCP mas nem comecei. Há qualquer coisa...

Em Setembro passado fiz um documento com os grandes acontecimentos que previa para este ano, na perspectiva de uma exploração pedagógica. Um deles era o Bloomsday e considerei então a possibilidade de preparar para hoje um pequeno almoço bloomiano, a servir na escola. Não seria provavelmente um sucesso mas também não é todos os dias que podemos comer "rins de carneiro grelhados" com um "belo sabor de urina levemente perfumada".
Não imaginava na altura que o Bloomsday, a 16 de Junho, cairia logo no dia inquieto que vivemos hoje. Não percebo porque é que a Casa Fernando Pessoa arranca às 21.00 horas com uma evocação de Joyce e com a leitura de excertos de Ulisses. Talvez porque a Irlanda não está no Euro 2004...
Para mais informações sobre o Bloomsday, que está quase a chegar ao seu termo, clicar precisamente aqui.

No interior deste livro não lido encontrei, para além da factura da livraria, um ensaio para o meu convite de casamento com a Manuela (a Maria Manuela e o José Gustavo tem o prazer de ___________ o seu casamento, que se realizará..., etc) e dois bilhetes de futebol. A história é simples: em 1991 Portugal realizou o campeonato do Mundo de Júniors, depois de ter ganho antes o Mundial de Riade. Na altura resolvi ir à Luz ver a carreira fulgurante da selecção onde pontuavam as jovens promessas, Luís Figo, Emílio Peixe, Rui Costa, Fernando Couto, Paulo Sousa, entre outros. Fui às Meias-Finais ver a nossa equipa com uma selecção que não me recordo, nunca me recordo. Tenho aqui o bilhete que esteve durante anos entre as páginas do Ulisses. Foi a 26 de Junho e corresponde a um lugar na Superior. 400$00, 2 €. 4 dias depois Portugal jogaria com o Brasil, também finalista. Outro bilhete para a Superior, a 500$00. Portugal ganhou ao Brasil nos penalties, se a memória não me falha. Estádio da Luz cheio e no final os adeptos brasileiros a aplaudirem a vitória portuguesa. E hoje contra a Rússia, na nova Luz, como é que vai ser?

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