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sexta-feira, junho 11, 2004

Os Livros no Parque 

Afinal ainda fui à Feira do Livro, mas fui em baixa. Era o último dia, depois do prolongamento, "dia da minha raça". Havia pouca gente e pela primeira vez não vi ninguém conhecido. Eu vou à Feira ver a cara dos livros e das pessoas. E gosto de encontrar amigos que não vejo há muito. Desta vez não foi o caso.
Não comprei muito e sobretudo comprei barato. Mas tenho a certeza de que comprei o que importava trazer para casa, sem ir atrás do saldo. Ora bem, a lista completa:
Ensaios sobre o Individualismo - Uma Perspectiva Antropológica sobre a Ideologia Moderna, Louis Dumont, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1992 (apenas 6 €); O Agente Secreto, Joseph Conrad, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1997; O Mundo Marciano, Ray Bradbury, Edições Livros do Brasil, Lisboa, 1998; Conduzindo às Cegas, Ray Bradbury, Livros do Brasil, Lisboa, 1997; Teoria das Concepções do Mundo, Wilhelm Dilthey, Edições 70, Lisboa, 1992 (só 4 €, não sei porquê); Presença do Brasil, João de Barros, Edições Dois Mundos, Lisboa, 1946; Anteu - Sísifo, João de Barros, Edição Livros do Brasil, Lisboa, 1960 (estes dois últimos a 4 €€ cada); Um Crime Capital, Francisco José Viegas, Edições ASA, Porto, 2001.
Este último é oferta para a Manuela, já que li na contracapa que conta o estranho caso de um duplo assassinato nos jardins da Fundação de Serralves. O Ensaio sobre o Individualismo toca um tema das filosofias que não me deixa indiferente, longe disso. Que fazer do meu personalismo ateu? Das minhas convicções democráticas? Etc. Dilthey é preciso lê-lo, relê-lo, depois do curso (ainda me lembro da sala onde falei desta obra, numa aula do João Paisana, falecido há tempos em Sines enquanto levantava dinheiro numa caixa Multibanco). Conrad... é um dos meus autores, sou fiel, desde Lord Jim, que li na Berlenga, tal como A Linha de Sombra e O Negro do Narciso, se não me engano. O Coração das Trevas li-o durante a descida do Douro, numa casca de noz, à força de pagaia. Desde há tempo procurava um romance de Conrad, algo atípico, de que apenas tinha ouvido falar. Um atentado bombista em Londres, dirigido ao mais simbólico do mundo moderno, ao Observatório de Greenwich, à Matemática como máxima expressão do mundo contemporâneo... ou estarei a sonhar? Pareceu-me, depois de algumas peripécias que fazem a espessura dramática do nosso tempo, que era preciso ler. Ray Bradbury é o autor do Faranheit... o livro das Leituras do ano passado. Fiquei impressionado com a desenvoltura lírica do autor. Andei a perseguir as suas Crónicas Marcianas, que nesta edição aparecem com o vulgar título de O Mundo Marciano. A ver depois. E o João de Barros, cujas obras de edição muito antiga lá aparecem no refugo dos Livros do Brasil. Desta vez apanhei um livro de artigos sobre o Brasil e dois poemas dramáticos.
Saí da Feira pelo alto do Parque com uma convicção melancólica. A de que se edita muita porcaria em Portugal. Tanta...

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