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segunda-feira, junho 07, 2004

O trânsito de Vénus, June 8, 2004 

O trânsito de Vénus - a passagem do planeta em frente da coroa solar - é já amanhã. Quando há alguns meses telefonei para o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) em busca de informações sobre Almanaques, falei com a astrónoma Alfredina do Campo, responsável pelos cálculos de posição dos astros e pela imensa quantidade de informação astronómica disponibilizada por aquela entidade. Na altura a astrónoma falou-me da iminência do trânsito, da raridade do fenómeno e do seu interesse pedagógico. Depois esqueci o assunto. Não imaginava então que este acontecimento invulgar acabaria por se tornar numa grande aula, que os jornais, as televisões fariam eco dessa rara conjunção que durará pouco mais de 6 horas. Saiu um livro, venderam-se os óculos da observação (um milhão e meio foram deixados nas farmácias para venda) e mostram-se gráficos animados e fotografias no fim dos telejornais. Aqui em casa já montei um pequeno planetário, suspendendo do tecto uma bola insuflável, que representa o sol, um berlinde que representa Mercúrio, e depois Vénus, mais longe, a Terra e junto desta a Lua. Assim poderemos simular o trânsito, observando os quatro contactos de Vénus cm o sol.



A meu pedido a Manuela trouxe da Feira do Livro de Lisboa (ainda não fui e acaba na quinta-feira) o livro do Nuno Crato. Recuando um pouco... No início do mês, fim de Maio, ouvi o Pessoal e Transmissível, um excelente programa de Carlos Vaz Marques, na TSF. O convidado foi o astrónomo Nuno Crato que falou entusiasticamente do livro que tinha recentemente publicado com outros colegas da área. Assim cheguei à obra: Trânsitos de Vénus - à procura da escala exacta do sistema solar, Nuno Crato, Fernando Reis, Luís Tirapicos, Gradiva, Lisboa, 2004.



Li o livro enquanto Vénus se aproximava velozmente do seu destino solar. É um objecto atraente, com o sol a resplandecer na capa. Conta as histórias dos trânsitos com a parte de aventura que coube aos seus principais protagonistas viver. Cada capítulo corresponde a um trânsito e a um grande protagonista, pelo menos. Numa prosa solta, adequada aos leitores modernos que encontram nos enredos da descoberta científica a inspiração do romance, os autores contam-nos a história da 'procura da escala exacta do sistema solar'. Kepler, Gassendi, Horrocks, Halley, Delisle, o famoso capitão Cook e o padre Teodoro de Almeida são alguns dos personagens que entram nesta história. Medições e previsões matemáticas, cálculos, planos e expedições a lugares remotos, fracassos rotundos e sucessos na observação e registo do fenómeno são a matéria de que se faz este livro. Os autores escrevem de forma acessível e perseguem obviamente um objectivo pedagógico que faz prevalecer a obra para lá da data do trânsito. É quase um manual de astronomia popular...
Fica claro no relato destes episódios como os países e potências emergentes na altura procuram marcar o seu terreno e ocupar o seu lugar no jogo da exploração científica. É o novo mapa do mundo que se vai desenhando. Nesse mapa a ciência e a investigação são uma das armas mais importantes para o desenvolvimento.

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