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terça-feira, junho 22, 2004

Mau humor 

Ontem deixei a televisão ligada. Vi, até onde consegui suportar, um programa de humor em português. As minhas expectativas, quando se trata de humor nacional, são baixíssimas. Aliás a expressão "humor nacional" soa-me a qualquer coisa sinistra que não consigo denominar, uma ideia confusa que se debate para sair à luz e não chega. A verdade é que o humor nacional não tem graça nenhuma. O programa "Levanta-te e ri!", que terá sido, admito, uma janela de frescura no ambiente sufocante do humor português, acabou por ser contaminado pelo mesmo vírus que atacou de morte a paródia nacional. Parece que o humor em Portugal ainda não conseguiu emancipar-se da matriz da revista à portuguesa que terá tido o seu tempo. Humor boçal, palavroso e explícito, muito referencial onde tudo o que pode ser pensado é dito e oferecido ao espectador, tal como na Revista. Um humor populista, gritado para ter mais efeito. Não suportei mais de dois ou três comediantes, demagogos e previsíveis no tal programa.
O Humor em Portugal sofre de duas graves malformações congénitas: a genitalização e a demagogia. Por um lado faz-se humor apenas acumulando referências explícitas aos orgãos genitais, genitalizando o discurso e rompendo interditos atrás de interditos - o humor nasce do escândalo e rimo-nos com gosto porque aceitamos participar nele, como uma libertação. A repetição desta estratégia é o mais decepcionante lugar comum do humor, com o seu representante mor, e o riso vem já por inércia e pelo prestígio do comediante. Claro que é um humor a prazo, porque o humor que se faz apenas no campo dessa espécie de baixinha subversão ética, mas moralista como mais não poderia ser, acabará um dia esgotado por si mesmo.
Por outro lado, a demagogia e o humor populista. Um bom exemplo disso é o programa a que me referi de início. O comediante faz um humor pela certa, repete fórmulas já consagradas, diz o que o público espera ouvir. O humor vai ao encontro das expectativas do público e nem mais um milímetro. Não surpreende já, apenas corresponde àquilo que todos esperam ouvir. A demagogia reside nesta rotina de um humor que não inventa, não surpreende, não desiquilibra. É o humor a que se tem direito. O comediante é a própria anedota.

Comments:
oi. sou um aluno seu do ano passado! espero que se encontre bem.. encontrei este site quase por acaso.
e aproveito para comentar o humor. é verdade, o humor em portugal está a tornar-se naquilo que já não tem novidade ouvir. Ou seja a anedota segue um rumo logico.
E não falou dos batanetes ( julgo que se chama assim ) e o prédio do vasco ambos da tvi que ai é que tinha o caldo entornado! A tvi numa tentativa fracassada tentou imitar os malucos do riso e bem podiam ter ficado quietos. continuacao de bons posts
 
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