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quinta-feira, junho 24, 2004

Futebol Global - 1º Post de 5 

Alguém disse ou escreveu em tempos (não há muito) que o futebol é o único fenómeno global que ainda não é americano. Americano aqui vai no sentido de Estados Unidos da América. Talvez tivesse acrescentado também as Olimpíadas, mas no caso dos Jogos o domínio americano na luta pelas medalhas é tão grande que dilui bastante a pertinência do juízo. A América resultou, não há dúvida, por muito que nos custe quando estamos mal com o mundo ou de mau humor. Mas no futebol a América é apenas um país emergente, um candidato a grande potência mas demasiado frívolo para alcançar resultados consistentes e duradouros. Para além de que o jogo é demasiado rígido e conservador nas suas regras para interessar o público americano. Depois apesar das suas origens humildes o futebol é dirigido hoje por uma aristocracia que se auto-reproduz, sedeada na velha Europa. Não sei se a América se dá bem com esta herança. No futebol a América joga sempre como visitante. Não parece que goste particularmente dessa situação incómoda. O futebol exige muito tempo, uma atenção paciente ao esforço que se desenrola no campo e frequentemente tudo tem de ser reiniciado de novo. Uma e outra vez. Tentativa e fracasso, uma longa espera muitas vezes mal sucedida, eis o que o futebol nos oferece tantas vezes. E subitamente, sem aviso, um, dois ou três momentos de clímax, os golos. No miolo deste estranho desporto há estratégias que o leitor atento sabe interpretar, mas o leitor comum só vibra com o escândalo e com o golo na baliza alheia. Nada deste paciente exercício de inteligência entre dois homens sentados num banco, a poucos metros de distância, se dá como espetáculo garantido. Por vezes o jogo é de uma monotonia aterradora, tal como a mesmíssima vida banal em que o futebol serve de excepção gloriosa.

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