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terça-feira, junho 15, 2004

Chegaram os manuais (viva a História da Perplexidade!) 

Costumo dizer, provavelmente com exagero, que os manuais escolares são os livros que menos me atraem. São muitos e parecidos no essencial, apesar de se distinguiram no acessório. São difíceis de arrumar. Nas bibliotecas escolares proliferam de forma quase 'cancerígena'... eu sei do que falo. Quando integrei a equipa da BME (Biblioteca Multimédia Escolar) a nossa primeira medida foi escolher de entre centenas de manuais aqueles que deveriam permanecer expostos. Ficaram alguns. São grandes e pesados, afastando-se do modelo padrão do livro de bolso ou do livro-livro. Por vezes são ilegíveis. Os textos dos autores caiem facilmente na verborreia paternalista e demagógica. Recordo-me de um manual recente com uma capa em tons desmaiados onde se podiam distiguir, em pose colectiva, a fina flor das top model da actualidade (actualidade de então). Nunca percebi porquê. Seja como for, vou ter de escolher 'o' manual e ajudar à decisão dos meus colegas. Por mim escolheria um manual que não parecesse um manual. Um livro por dentro e por fora. Não excessivamente pesado, atraente e resistente. Que contasse uma História da imensa curiosidade humana, que desenvolvesse o programa como uma aventura por saber mais. Uma História da perplexidade, contada com alegria.



Quando abri e folheei o último que me chegou às mãos, da Areal editores, lembrei-me de interpretar a esforçada iconografia dos manuais. Tantas imagens, para seduzir o leitor, escolhidas por quem? E de que modo as imagens reforçam a mensagem do texto? São frequentes as imagens de choque da actualidade, os comics, as fotos de estrelas dos adolescentes, mas também as pinturas perturbadoras de Margritte, os quadros alucinados de Dali, as composições paradoxais de Escher. São dezenas de imagens, entre o desvio para o relativismo bem humorado e o choque ético das causas da moda. Um lerei estes livros através do fio das suas imagens.

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