<$BlogRSDURL$>

sexta-feira, maio 28, 2004

A Rádio não acontece... faz-se, diz o Fernando Correia 

O meu amigo Pacífico deixou-me há dois dias o livro do Fernando Correia, com autógrafo e tudo. Fez hoje duas semanas que o homem da rádio foi à JB, falar da sua vida de jornalista desportivo e falar de futebol. Nesse mesmo dia estava a fazer a promoção do seu livro de memórias, escrito a cumular cerca de 50 anos de carreira. Basta ler as badanas do livro para perceber que este homem percorre toda segunda metade do século XX a fazer rádio, passando por onde interessava passar no momento certo. O livro é um registo memorialístico, propositadamente informal, por vezes sem recusar mesmo o anedótico. O prefácio é de Manuel Sérgio, colega do Instituto Piaget.
Ao longo de 180 páginas desta obra editada pela Sete Caminhos, Fernando Correia escreve sobre as suas muitas experiências em viagem, acompanhando as equipas portuguesas de futebol, mas também nos fala dos seus anos de aprendizagem e dos projectos pessoais que o marcaram. Fiquei a saber que o João Sebastião Bar foi ele quem o criou, instalando ali um estúdio de rádio de onde chegou a fazer inúmeros directos. Mas também há lugar no livro para as homenagens e para a reflexão sobre o futuro da rádio. No gabinete do Piaget, onde todos os dias vê passar aquele combóio que vai para longe, o Fernando Correia inventou este livro para nos falar do que sabe bem. "Para mais", termina ele, "o amanhã é já ali."
Eu nunca fiz rádio mas lembro-me de ter conhecido nos estúdios da Sampaio e Pina ou do Quelhas (não me recordo... ou serão os mesmos?) o João Aguiar, com os Temas em Análise. O programa começava com uma música de que ainda recordo os acordes, e sobre a música ouvia-se a voz pausada do agora escritor de romances históricos: "um programa em se fala de tudo aquilo que está escondido, perdido ou esquecido no lado esquerdo do cérebro". E depois lá entrava o tema da semana, rebuscado de entre os temas da moda. O insólito, como nós dizíamos então, o misterioso, o fantástico, etc. Também de lembro de duas ou três madrugadas no programa da manhã, o Ora Hora, ou vice versa, do inimitável Luís Pereira de Sousa, que chegava sempre sobre a hora ou até depois, enquanto a música do programa o esperava já no ar. Isto pelos anos 79/ 80. Há séculos.



Comments: Enviar um comentário