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quinta-feira, maio 20, 2004

O dia da espiga 

Hoje é o dia da espiga. Inesperadamente aparecem por todo o lado vendedores de espigas a 1 €. Um punhado de espigas misturadas com ramos de oliveira, flores e papoilas raquíticas. O ramalhete, que a partir de agora começará a secar, ainda cheira. E este odor é a verdadeira dádiva do dia. Com excepção da meteorologia e de algum vislumbre de verde, resta-nos o dia da espiga para nos recordar que a natureza não é uma mera possibilidade.

P.S.1: a Paula mandou-me uma mensagem com informação sobre as origens históricas do dia da espiga. Por mim "não há espiga", por isso aqui fica o link.

P.S.2: será que desta vez o link funciona mesmo? Vamos ver. Clique aqui, por favor. Muito obrigado.

P.S.3: bom, está visto que há aqui um segredo qualquer. Vou deixar o texto do link que pode ser lido na íntegra aqui mesmo.

DIA DA ESPIGA

A Quinta-feira da Ascensão é um feriado religioso católico.Celebra a ascensão de Jesus ao Céu, depois de ter sido crucificado e de ter ressuscitado (A Ressurreição é o que a Páscoa celebra).
Este dia (a Ascensão) ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa, e é sempre a uma quinta-feira.
E, também, sempre nessa data, celebra-se o Dia da Espiga ou Quinta-feira da Espiga.
Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres. Com elas, formam um ramo com: espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos, etc.

Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga = que haja pão (isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar)
- O ramo de folhas de oliveira = que haja paz (lembra-te que a pomba da paz traz no bico um ramo de oliveira) e que nunca falte a luz (divina). (Dantes as pessoas alumiavam-se com lamparinas de azeite, e o azeite faz-se com as azeitonas, que são o fruto da oliveira.)
- Flores (malmequeres, papoilas, etc.) = que haja alegria (simbolizada pela cor das flores)

O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa. Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, que era uma bênção aos primeiros frutos.
No entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que vem bem mais de trás no tempo, talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e às quais se mantém ligada à tradição dos Maios e das Maias.
Hoje em dia, nas grandes cidades, as pessoas já não vão colher o Ramo da Espiga (nem há onde...), mas há quem os venda, tendo-os elas colhido e fazendo negócio com a tradição... E ajudando a preservá-la.


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