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terça-feira, maio 25, 2004

Le Monde diplomatique, edição portuguesa 



A edição portuguesa do Monde diplomatique faz cinco anos. Já vai no nº 61 e com regularidade mensal dá-nos uma mão cheia de artigos de especialistas e de jornalistas da casa. O director da edição portuguesa é António Borges Coelho e a editora a Campo das Letras. Acontece que o Paulo Lobo me ofereceu, há semanas, o número de Abril. Desde então tenho transportado esse jornal impresso em papel branco com primeira página em cores para o café, onde fui lendo paulatinamente artigo a artigo. Não falhei um e nunca dei por desperdiçado o tempo que roubei à ficção.
Uma parte deste número é dedicado aos 30 anos do 25 de Abril. Manuel Villaverde Cabral escreveu um longo artigo sobre a revolução e a normalização democrática no contexto do convívio europeu. Mia Couto fala do 25 de Abril na perspectiva do africano das colónias, envolvido na luta de libertação da potência colonial - "Rir em Abril, Dançar em Junho; A queda da ditadura portuguesa vista de Moçambique". Duas páginas são dedicadas à herança governativa de Aznar e à luta contra o terrorismo. Um professor da Universidade de Nova Iorque escreve sobre a "nova ordem mediática americana". Um artigo muito crítico sobre o perigo da concentração dos media e muita matéria sobre a política norte americana no Médio Oriente. Um interessante artigo sobre o estatuto da mulher no Islão, da autoria de um jornalista de Londres, uma reflexão sobre a aliança conjuntural entre a França e a Alemanha e alguns textos sobre o ensino profissional e a precariedade entre a classe jornalística, este último assinado sob pseudónimo. Artigos sobre a tragédia política e humanitária do Haiti e sobre as convulsões sociais na Venezuela de Hugo Chávez e uma reflexão sobre o conceito de "genocídio". A terminar, um artigo sobre o Islão, tal como ele é espelhado pelos media franceses.
Apenas dois reparos, que não diminuem a grande qualidade dos textos e dos colaboradores: a falta de contribuições de jornalistas e especialistas portugueses, já que se trata da versão portuguesa; a falta de pluralismo que transparece nas posições dos autores dos textos, tendencialmente anti-americanos, sem nuances, a ponto de ser demasiado notória a ausência de opiniões contraditórias que fizessem a polémica. E essa ausência do contraditório não é um pequeno defeito. Está lido.
Aqui fica um link para o jornal, "o" Monde Diplomatique.

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