<$BlogRSDURL$>

sexta-feira, maio 28, 2004

Fado em mim... 

Tem a ver com a Mariza, a fadista, mas tem também a ver com muitos outros. Estou a falar (digo melhor: estou a escrever) acerca de mais uma colecção do jornal Público, vendida com a edição de 6ª feira. A colecção chama-se "O fado do Público - 100 anos de Fado" e é um primor, do princípio ao fim. Celebra um século de registo discográfico e logo com um belíssimo texto de Rui Vieira Nery. Cada entrega, das 17 que terão lugar até ao termo da colecção, consiste num pequeno livrinho com formato de CD, com o disco cravado no verso da capa dura. O grafismo é moderno e cheio do mais fino humor. O primeiro, oferecido com a edição passada, começa com um texto do presidente da república, seguido por um pequeno depoimento de Mariza (esse ícone feminino do Fado - isto será marialvismo?), ao qual se acrescenta ainda uma bela e muito pessoal evocação da história do género muito bem escrita por Carlos do Carmo. E depois o primeiro capítulo daquilo que será uma completa história do Fado. Chama-se precisamente: "Para uma História do Fado". Vieira Nery, um especialista em musicologia, reflecte sobre o silêncio das fontes acerca do género musical a que se deu finalmente o nome que hoje conhecemos e evoca as origens do fado numa dança sensual, vagamente acompanhada de música de guitarra, que era dançada persistentemente no Brasil, nos inícios do século XIX. O texto promete e deixa prever um excelente ensaio, escrito com rigor, subtileza e erudição. Por mim, que o li na sala do Hospital de Dia, tentando vencer o ambiente de limbo que ali se vive enquanto se espera, infinitamente se espera, fiquei rendido ao pequeno objecto que amanhã terá a sua segunda entrega.



E depois o próprio CD: José Porfírio, Maria do Carmo Torres, Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, o filho, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Mísia, Mafalda Arnauth, lindíssima e com uma voz que chega a tocar os acordes da doçura sem ser despropositadamente melíflua, Kátia Guerreiro, Ana Moura e Mariza. Esta última o milagre que já conhecemos, que consegue interpretar o hino nacional de forma pessoal como se viu recentemente no hemiciclo. C'est tout. Silêncio, que vamos ouvir e ler o fado.

Comments: Enviar um comentário