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segunda-feira, maio 17, 2004

Edições Tema, mais 2 livrinhos do Departamº Literário da Guilherme Cossul 

Surpreendem-me sempre que chegam. Ou pelo correio, ou por mão amiga, provavelmente de alguma outra maneira ainda mais improvável. Desta vez foi a Manuela que me trouxe os dois livrinhos da Edições Tema, oferta do Alberto Augusto Miranda. São pequenas publicações, modestas mas cuidadas, mantendo bem a unidade de imagem da colecção. Saiem em pequenas tiragens (300, 500, 1000 exemplares) e são gratuitos. Dão a conhecer autores fora do circuito das editoras porque publicam poesia minoritária... passe a redundância. Escrevem em múltiplas línguas e têm em comum não abdicar de fazer ouvir a sua voz pessoal, sem estridências. São livros fora do mercado, esse Deus que tudo alimenta e devora. Quando me chegam às mãos abro-os ao acaso e cheiro-os, porque isso é o que faço com quase todos os livros quando suspeito que eles me reservam os segredos e as confidências de um destino pessoal.
Desta vez o Alberto Augusto Mirando mandou-me dois livrinhos. Villa Real, Motivos, de António Manuel Caldeira Azevedo. Um conjunto de relatos numa linguagem em deriva poética, sobre a cidade de Vila Real. Del Ajuar, La Locura/ Do Enxoval, A Loucura. Um livro de Carmen Nuevo, de Aviles, Asturias, poesia em formato bi-lingue. Por falar em formato, o livro também se distingue por isso. A forma de alguns dos poemas, que apresentam versos muito longos a desejar a soltura da prosa, induziu o formato do livro. Um livro de lombada baixa e largura de página que quase duplica a sua altura. Serão a minha leitura muito em breve.
Em 1995 o Fernando Guimarães (ou o Alberto Miranda... não sei ao certo)... um deles, pediu-me que escrevesse uma recensão para uma revista que nunca chegaria a ver a luz do dia. Emprestaram-me um livrinho de um jovem poeta Uruguaio, Hector Rosales, naturalizado espanhol, habitando em Barcelona. "Alrededor el Asedio", um livro breve com três poemas divididos por fragmentos enigmáticos que li com verdadeira dificuldade. Meses depois entreguei um pequeno texto (em todo o caso grande demais para a revista que não chegaria a sair). Chamei-lhe "Alrededor de Hector Rosales" e saiu nas Edições Tema, constituindo a segunda entrega de uma colecção de textos que depois progrediu para um projecto editorial de que agora recebo o eco com alguma regularidade. O autor agradeceu-me, escrevendo desde Barcelona uma carta bastante simpática onde afirmava que eu tinha "sabido resumir acertadamente diversos canais de acesso a esse livro". Mandou-me algumas publicações e folhetos poéticos, que retribui com um par de livrinhos de poesia de poetas portugueses. Infelizmente, provavelmente por culpa minha, não soube alimentar aquele contacto que o poeta uruguaio tão delicadamente me proporcionou. Lembrei-me disto a propósito da oferta do Alberto Augusto Miranda. Reli o meu texto de 1995 e gostei. Sou sincero.

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