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sexta-feira, abril 09, 2004

"O meu nome é Gogol, Nicolau Gogol!" 

"Não conheço... desculpe, disse Google?"
"Na verdade o meu nome completo é Nikolai Malevitch Gogol. Google é o outro..."

Este podia ser o enredo simples de um qui pro quo, com base numa confusão de nomes envolvendo o famoso motor de busca e o escritor russo. Mas agora Gogol também é outra coisa. Numa busca errática que fiz dei com isto: Gogol é uma paródia admirativa ao Google, a partir das óbvias semelhanças do nome. O resultado é demasiado espirituoso para o deixar passar em claro neste blogue de leituras.



A ideia é muito simples: um motor de busca caótico que nos permite encontrar aquilo que não buscávamos. Na página de apresentação podemos ler: "Ce site est une parodie du meilleur moteur de recherche actuel, Google. Sa vocation première est de vous amuser, mais il semblerait que cet outil soit aussi un fantastique outil de découverte du monde!" Nem mais. Encontrar aquilo que procuramos pode ser de grande utilidade e frequentemente é apenas isso que ardentemente desejamos. Mas a maior parte das vezes as nossas descobertas mais significativas e estimulantes têm lugar num imprevisto, por um equívoco inesperado. Um atraso de minutos pode abrir-nos o horizonte para uma realidade nova, mudar-nos a vida. Um erro num percurso que não se conhece bem pode ter consequências inestimáveis, quando analisado com frieza e espírito livre. Este buscador de conceito original é mais uma modalidade do acaso, a que tanto devemos, mas a que não devotamos qualquer gratidão. O Gogol não faz qualquer ideia de como encontrar aquilo que buscamos, mas esse é precisamente o seu encanto: "En effet, Gogol ne tient absolument AUCUN compte de ce que vous souhaitez chercher, mais vous renvoie vers un document choisi plus ou moins aléatoirement. Si jamais Gogol vous renvoyait vers une page ayant un quelconque rapport avec ce que vous cherchez réellement, ce ne serait que pure coïncidence."
Eu fiz a experiência com o Gogol. Escrevi no campo a palavra "sexo" (peço desculpa mas é a palavra mais citada na net) e não apareceu o que seria de prever. Depois escrevi "livros" e mais uma vez saiu outra coisa... nada a ver. Para testar a consistência do Gogol escrevi de novo "sexo" e... entrei no sítio da universidade de Nantes. Com a palavra "futebol" fui dar a um sítio não sei de quê de móveis e equipamento para o lar. Não resisti e para confrontar o resultado desta busca com os resultados recentes do Google escrevi respeitosamente "estúpido"... para ver se ia parar ao sítio do nosso governo. Não. Apareceu outra coisa. Só para terminar e para verificar a absoluta congruência da busca caótica que o Gogol tem para nos oferecer digitei "Nicolai Gogol". O resultado foi uma vez mais inesperado; uma agência de cuidados de saúde, assistência na velhice, se li bem - construir no futuro.
A busca é "mais ou menos aleatória" e por isso não há qualquer nexo entre a busca e o achado. Pode ser um bom divertimento ou uma forma de, - como dizia o inimitável Argileu Palmeira, o Baicharéis (sic), poeta do parnaso brasileiro que assoma para uma glória duvidosa num romance de Jorge Amado - uma forma de "dar uma oportunidade ao acaso".
Enfim, "ce site n'a pas pour but de se moquer des handicapés mentaux. C'est plutôt un vibrant hommage conjoint à Google, Gogol 1er, et Nikolai Malevitch Gogol, auteur du "Journal d'un Fou", d'où l'entonnoir!"


Nikolai Gogol é uma das glórias da literatura russa do século XIX. Escritor que explora o registo do humor e do absurdo, ao mais elevado grau, escreveu um conto famoso chamado "O Nariz" . Nunca o li, mas tenciono fazê-lo em breve. Deixo aqui uma ligação para uma versão em espanhol desse conto, naturalmente versão integral. Para chegar ao conto de Gogol (mas neste caso funciona sem sobressaltos) basta ir um pouco atrás neste post e clicar no dito apêndice. Boa leitura.

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